NA CRISE, TEMER MAIS A VIOLÊNCIA DO QUE O DESEMPREGO por clara castilho

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Um título estranho, as são os resultados de um inquérito.  Se corresponder à opinião geral, é interessante…

Os portugueses foram questionados pelo Parlamento Europeu que pretendia saber o que pensavam sobre “Mulheres e desigualdades de género no contexto da crise” (por telefone, de 4 a 7 de Fevereiro, responderam 1000 pessoas em Portugal, 25556 na União Europeia). Responderam que a violência contra as mulheres, o tráfico de mulheres e a prostituição são as desigualdades de género que se agravaram mais como consequência da crise.

 Não é o mesmo que pensam as restantes pessoas da União Europeia, pois consideram que as maiores dificuldades das mulheres são conciliar a sua vida privada com a profissional e a disparidade salarial entre homens e mulheres, com o respectivo impacto no desenvolvimento da carreira.

Só 5% dos inquiridos a enumeram como prioridade a persistência dos estereótipos sexistas sendo, para os portugueses e na média geral da UE, uma questão menos preocupante.

Como chega a mulher ao emprego? O seu recrutamento depende da flexibilidade em termos de horas de trabalho e da aparência física, factores que são citadas como os aspectos mais levados em conta. A idade aparece em quarto lugar, praticamente a par com o nível de habilitações.

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E como sair da crise? O inquérito procurou saber ainda que medidas seriam consideradas mais importantes para empregar mais gente por mais tempo. Aí estamos de acordo com a média dos seus parceiros europeus. A medida que propõe é a promoção da formação contínua para as pessoas no trabalho e a necessidade de facilitar o acesso a serviços de acolhimento a crianças mais baratos. Mas as nossas respostas apontam ainda que o “empreendedorismo” poderia ser uma das medidas mais importantes a ser aplicadas.

Apontam também o desagrado com as medidas do actual governo, com as dificuldades de entrada para os jovens no mercado (67%) e o aumento do trabalho precário (47%), situações que não parecem ter tanto impacto nos restantes países europeus (46% e 42% respectivamente).

Este assunto já tem por mim sido abordado. Os dados indicam que as mulheres trabalhadoras portuguesas com pelo menos um filho ganham 24% menos face ao salário mediano dos homens nessa mesma condição. Nos casos em que não existem crianças, a diferença salarial continua a penalizar a mulher, mas muito menos: o diferencial é de 7% abaixo face rendimento mediano masculino, isto é, três vezes menos face à situação em que há pelo menos uma criança no agregado familiar. São os dados da OCDE, publicados  no dia 17 de Dezembro de 2012, noo estudo “Terminar com a diferença de género: Agir agora“.

Nele (http://www.oecd.org/gender/Executive%20Summary.pdf)  podemos ver que o ‘gap’ salarial aumenta dramaticamente em todos os países quando as pessoas têm filhos, ou seja, as mulheres são altamente (e as únicas) penalizadas com a nova situação

Apesar dos ganhos das mulheres em educação,  qualificação e do aumento na participação no mercado de trabalho, “mantém-se diferenças consideráveis nas horas trabalhadas, nas condições de emprego e nos ganhos”. Dito de outra forma, nos países ricos elas ganham pior, têm piores empregos e trabalham mais horas.

Os dados disponíveis quanto a violência doméstica (relativos ao ano de 2011) também confirmam os receios manifestados no inquérito feito telefonicamente.

http://www.dgai.mai.gov.pt/cms/files/conteudos/Relatprio%20VD%202011_%20Participacoes%20as%20FS.pdf

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