EDITORIAL: CONSENSOS E ALIANÇAS. QUE SAÍDA?

Diário de Bordo - II

Consenso é um vocábulo que está na moda. Não é que todos o apreciem, mas há realmente muitos a falarem dele. Nem todos bem, é verdade. E é irónico que, numa altura em que temos um governo a governar tão pouco em consenso com o seu povo, são precisamente os seus apoiantes que mais falam em consenso. Com Passos/Portas/Gaspar, claro. E com a famigerada, que já não se consegue pronunciar-lhe o nome.

Claro que nos querem levar no barril, bem rolados, ou enrolados, conforme preferirem. Gaspar ainda não desistiu de nos convencer que temos de ficar mais pobres para ficarmos mais ricos, com o dinheiro nas mãos dos mesmos de sempre. Passos e Portas vão seguindo, pelo menos por enquanto. Cavaco Silva vai atrás, que outra coisa não era de esperar.

Desta vez parece que nem a receita do príncipe Salina querem aplicar. Umas eleições permitiriam talvez mudar alguma coisa, para depois ficar quase tudo na mesma, ou não exactamente. Os “consensuais” temem que haja um grande deslize para a esquerda, para além do Partido Socialista. Sabem que se a esquerda que chamam de radical obtivesse uma votação forte, mesmo sem ser uma maioria, isto enfraqueceria notavelmente as suas posições. Tal como as grandes manifestações demonstraram a fraqueza do apoio popular às políticas  de austeridade, contrariando as teses defendidas inclusive ao nível da Comissão Europeia, uma grande votação à esquerda do PS seria um empurrão forte no sentido do fim das mesmas políticas de austeridade, por enquanto só um pouco enfraquecidas. Seria uma possibilidade de nem tudo ficar na mesma.

Mas um cenário que se põe como provável  após o Congresso do PS deste fim de semana é, não o de eleições para breve, mas sim o de uma nova coligação governamental. Desta vez com o PS, que acaba de dar um voto de confiança a Seguro. A grande questão para viabilizar este cenário consiste no seguinte: que vão dar ao PS para poder salvar a face? Imolar o CDS? Talvez seja por isso que Portas parece não andar muito contente. Pelo menos é o que corre por aí. Mas há outras possibilidades. E com este cenário, continuávamos no reino de Salina.

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