Pentacórdio para Quinta-feira, 2 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

 

   É claramente mais abundante o menu de eventos desta Quinta-feira, 2 de Maio nas diversas salas da capital lusa.

 

   Começando pela Fundação Calouste Gulbenkian, será certamente de interesse o concerto que às 21h, no seu Gande Auditório, dará a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo jovem maestro letão Ainars Rubikis, acompanhado numa peça pelo pianista britânico Paul Lewis, concerto esse que se repetirá no mesmo local na Sexta-feira, 3 de Maio às 19h.1 ainars rubikis

   Tendo despertado a atenção internacional ao vencer o “III Concurso Internacional de Direcção Gustav Mahler”, em Bamberg e, mais tarde, sendo distinguido com o prémio para jovens maestros do Festival de Salisburgo, Ainars Rubikis dirigiu em 2011 a Gustav Mahler Jugendorchester e tornou-se, em 2012, o Director Musical e Maestro Titular da Academia Estatal de Ópera e Ballet de Novosibirsk.

   Recentemente foi convidado para dirigir, entre outras, a Orquestra Gulbenkian bem como, p.ex. as Filarmónicas de Honguecongue, Bruxelas, Budapeste, Liverpool e Poznan, a Orchestre du Pays de la Loire, a Kremerata Baltica e a Ópera Nacional da Letónia.2 paul-lewis-action-credit-clive-barda 

   O aclamado e multi-premiado pianista Paul Lewis, que atribui o seu aperfeiçoamento último a Alfred Brendel, é famoso pelas suas gravações para editora Harmonia Mundi , que incluem as integrais das sonatas e dos concertos e as Variações Diabelli de Beethoven, e terá sido o primeiro pianista em toda a História dos BBC Proms a interpretar, numa só temporada, os cinco concertos deste compositor.

   A sua mais recente colaboração é com, entre outras, as Sinfónicas de Boston, Chicago, Londres e da Rádio Bávara, a Orquestra do Real Concertgebouw, as Filarmónicas de Nova Iorque, Oslo, Londres e Los Angeles, a Tonhalle Orchestra e a Mahler Chamber Orchestra. Nos últimos dois anos tem-se dedicado com especial ênfase às obras de maturidade de Schubert, com o objectivo de as gravar.

   O programa do concerto inclui de :

 

      Johannes Brahms  Concerto para Piano e Orquestra nº 1, op. 15

      Robert Schumann  Sinfonia nº 2, op. 61

 

   O interesse de Paul Lewis em Schubert pode estar reflectido na forma como interpreta este “Impromptu nº 2, D 935 :

 

 

   Já a direcção de Ainars Rubikis duma obra de Brahms (aqui o Concerto para Piano e Orquestra nº 2, op. 83) pode ser melhor percebida no 2º andamento, após a intervenção ao piano de Peter Donohoe (o registo fílmico suspende-se estranhamente aos 5’, mas fica o sonoro !):

 

 

 

   Noutro plano, realiza-se também na Quinta-feira, 2 de Maio, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 19h e com entrada livre, um Concerto Antena 2 onde actua o conhecido Ensemble Clarinete Modus (ECM), composto pelos instrumentistas Manuel Jerónimo, Sérgio Jerónimo, Filipe Morais, Susana Valente e Márcio Pereira.

3 ensemble clarinete modus   Com 23 anos de actividade ininterrupta e 154 actuações em Portugal e no estrangeiro (Espanha e França) o ECM foi formado em Abril de 1990 por Manuel Jerónimo (seu Director Artístico), Sérgio Oliveira, Elisa Valério e Conceição Silva, estreou-se no Curso de Música de Câmara da Profª. Olga Prats e em Julho desse mesmo ano foi-lhe atribuído o 1º Prémio da Classe Superior de Música de Câmara dos Concursos da Juventude Musical Portuguesa.

   Desde então a produção artística do ECM e dos seus elementos a solo tem sido marcada pela frequente divulgação de obras de compositores portugueses reflectida na execução pública de dezenas de obras em primeira audição (nomeadamente as relativas à produção de música contemporânea portuguesa para clarinete), tendo algumas delas sido registadas em 1999 sob o título “Portuguese Contemporary Music” em CD da Editora Strauss – Portugal Som.

   O programa deste concerto engloba :

 

      Fernando Lopes-Graça (adapt. Manuel Jerónimo)  Cinco Melodias Rústicas Portuguesas (das “Melodias

                                            Rústicas Portuguesas”, IVº Caderno, LG91)  1. Alvorada, 2. Romance de D. Fernando,

                                            3. Canta o Cuco, 4. Dorme, dorme meu menino,  5. Carvalhesa

      Béla Bartók (adapt. M. Mazzini)  Danças Populares Romenas  (1. Dança do bastão, 2. Dança  do xaile, 3.

                                   Dança no lugar, 4. Dança do corno, 5. Polca romena, 6. Dança rápida I, 7. Dança rápida II)

      Pablo de Sarasate (arr. M. Pereira)  Fantasia Carmen, op. 25  (solista  Márcio Pereira)

     Jan van der Roost (arr. M. Jensen/adapt. M. Jerónimo)  Rikudim (4 Danças Populares Israelitas)               

             1. Andante moderato, 2. Allegretto con eleganza, 3. Andante con dolcezza, 4. Con moto e follemento

      Alexis Ciesla  Rhapsodish Suite Klezmer  1. Itamar Freilach 3. Doumka’s Freilach

 

   Numa gravação deficiente, é possível ouvir aqui, numa masterclass realizada em Salreu, no concelho de Estarreja em Novembro de 2012, o Ensemble de Clarinetes Modus interpretar uma das últimas peças do programa, o Klezmer de Alexis Ciesla “Itamar Freilach” :

 

 

 

               4 Kaki-King-28         5 frankie chavez

   Mudando de instrumento (e também de estilo), do clarinete para a guitarra, quem comparecer nesta Quinta-feira, 2 de Maio no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, verá o resultado do convite (como é apresentado pelo CCB) da «extraordinária cantora e guitarrista Kaki King a um dos mais promissores talentos da nova música portuguesa, Frankie Chavez, para um concerto em que partilharão alguns temas e interpretarão outros a solo».6 Kaki+King+Kaki+with+Signature+Adamas+Ova

   Quanto a Kaki King, guitarrista, cantora e compositora norte-americana de Atlanta (na Geórgia), passou a última década a associar, aos elogios da crítica a admiração dos fãs, pelo seu virtuosismo sem paralelo com a guitarra. Considerada “deusa da guitarra”, pela revista Rolling Stone em 2007, Kaki recebeu uma nomeação para Globo de Ouro pela sua contribuição para a banda sonora do filme de Sean Penn, “Into the Wild”.??????????????????????????????????????????????????????????

   Tendo actuado com uma banda em digressões tanto na América como na Europa, a última divulgando o seu álbum “Júnior” (2010), voltou depois à actuação a solo em 2011, sendo no seu sexto CD “Glow”, saído em Outubro de 2012, acompanhada pelo quarteto de cordas Ethel.

   A sua perícia e criatividade com a guitarra pode ser apreciada nesta versão de “The Bowen Island” do álbum Glow tocada ao vivo em Carmignano (Itália) [ se o leitor quiser ouvir o videoclip de “Cargo Cult” do mesmo CD, tem-no aqui : http://youtu.be/CTR9eveCx4g ] :

 

 

   De Frankie Chavez sabe-se (ou calcula-se) que trará na bagagem os temas de “Family Tree” e outros a incluir no seu próximo trabalho de originais.

   Entretanto, desse futuro álbum “Family Tree” de Frankie Chavez apenas dispomos deste excerto tocado e cantado por ele :

 

 

 

   Outras novas musicais breves informam-nos que :

 

   Às 19h desta Quinta-feira, 2 de Maio, no Auditório da NOVA (Univ.Nova), em Campolide, pode ouvir-se, 8 orq.sopros metropolitananum concerto de entrada livre,  a Academia de Música Costa Cabral do Porto, sob a direcção musical de José Eduardo, tocar de :

      Gustav Holst –  Suite n.º 2, op. 28

      Juan-Gonzalo Gómez Deval –  O caminho de Santiago

      Andrew Lloyd Webber –  O fantasma da ópera (arr. de Johan de Meij)

   Em seguida, a Orquestra de Sopros Metropolitana, sob a direcção musical de Reinaldo Guerreiro, interpretará de :

      Johan de Meij –  Sinfonia n.º 1, “O Senhor dos Anéis”

 

 

   Ao palco da Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h desta Quinta-feira, 2 de Maio, “Regressa Anamar”, nove anos depois de “Transfado”, com a apresentação de um novo trabalho discográfico.9 anamar cartaz

   “Anamar”, disco em nome próprio, faz-se sobretudo de originais, mas também de versões de canções da Sétima Legião e de Amália Rodrigues.

   «Neste seu regresso ao palco (diz o São Luiz TM), Anamar convida The Legendary Tigerman para uma celebração da vida e da necessidade imperativa de a viver».

   Ouvir-se-á, então, além da voz de Anamar e do seu convidado, Ricardo Frutuoso guitarras, Tiago Moreira baixo, Paulo Cavaco teclas e acordeão e Pedro Lima bateria e percussão.

   O clip de anúncio do novo CD inclui a sua versão de “Barco Negro” de Amália Rodrigues :

  

 

 

bruno santos ein   Na área do jazz, a opção será a de ouvir no Hot Clube, às 22h30, o 5to Bruno Santos com Bruno Santos  guitarra ; João Moreira  trompete ; Jeffery Davis  vibrafoneNelson Cascais  contrabaixo e André Sousa Machado  bateria. O seu coordenador Bruno Santos reconhece : “… fazer música de raiz para esta formação foi um desafio aliciante mas ao mesmo tempo pura diversão tendo em conta o privilégio de contar com estes incríveis músicos que misturam várias gerações e experiências”.

    Ou passar no Onda Jazz onde todas as Quintas-feiras, às 22h30, toca Selma Uamusse, como aqui já noticiámos.

 

 

10 carreira das índias mapaantigo

   Como conferências/debate saliente-se aquela que ocorrerá no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, nesta Quinta-feira, 2 de Maio, às 18h, dentro do Ciclo de Conferências “360º Ciência Descoberta” de apoio à exposição homónima ali existente e que será proferida por Filipe Vieira de Castro, Professor de Arqueologia Náutica na Texas A&M University (EUA) que publicou “A Nau de Portugal” (2003) e trabalha actualmente quer no estudo histórico do rio Stella (no Norte de Itália), quer nas excavações sobre 11_Nau_Acabadaos naufrágios do século XVI nas costas da Croácia, quer ainda na visualização em 3D das estruturas dos navios.

   A entrada é livre, havendo tradução simultânea e transmissão para espaços adjacentes e on line : http://www.livestream.com/fcglive .

   O tema da palestra é “Uma viagem na Carreira da Índia cerca de 12 ilha de goa1600” e, como introdução, Filipe Vieira de Castro afirma :

   «A Carreira da India era uma das rotas comerciais mais longas do seu tempo. Todos os anos as naus da India partiam de Lisboa e lançavam-se numa viagem que durava seis meses, parte dos quais no duro Inverno do Atlântico Sul. Com mais de quatrocentas pessoas a bordo, estes navios eram pequenas cidades flutuantes em que cada passageiro tinha uma história para contar…».

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

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