MINIBLOGOTEATRO – 1 – RAQUEL E JACOB, por Hélder Costa

Como temos anunciado, começamos hoje a publicar pequenas peças de teatro. São trabalhos inéditos, nunca levados a cena. Começamos da melhor maneira, com um trabalho escrito por um homem de teatro – actor, dramaturgo, encenador, professor de arte dramática… Hélder Costa é um argonauta que dispensa apresentações – quem não conhece o grupo teatral que dirige, A Barraca? Sobre as peças que vamos publicando, esclarecemos que não emitiremos pareceres prévios – a caixa de comentários receberá elogios, críticas desfavoráveis e até sugestões.

Vamos então ler com atenção este texto teatral de Hélder Costa – “Raquel e Jacob”.

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Raquel e Jacob

PERSONAGENS

 Raquel – judia Austríaca, 60 anos. Veio para Portugal, criança refugiada durante a guerra. Cultura musical. Piano, professora de canto. Escritora e tradutora.

Jacob – empregado de mercearia , 25 anos – talho, etc., que leva produtos a casa de Raquel. Tem raciocínio, humor e inteligência populares que perturbam e encantam Raquel.

1.

(Raquel no piano. Som de campainha de porta, precipitado)

R.-  entra, a porta está aberta.

(Entra Jacob com sacos de compras)

R. – ainda não aprendeste a tocar à campainha…

J. – não era assim ?

R.- ouve, com atenção. Papa papapa papapapa papa

J.- papapa…

(Risos)

(R. repete, repete…)

R.- sabes de onde vem isto? Do Maio de 1968 em França.

J.- ainda não tinha nascido.

R.- pois, és muito novo. Houve uma revolta de estudantes, depois uma greve de milhões de Franceses.

J.- uma Revolução?

R.- não, que ideia! Uma revolta, não é a mesma coisa. Mudaram alguns costumes, mas ficou tudo na mesma.

J.- e a senhora esteve lá ?

R.- estive. Fui ver o que se passava. Só uns dias.

J.- papapa…

R. ( repete) – trouxeste tudo? Põe na cozinha

J.- arroz, esparguete, batatas, cebola, couves, tomates, pimentos, costeletas…uma corvina…

R.- credo! Parece a cozinha de um restaurante…

J. – a senhora é que

R.- eu sei, se calhar posso ter visitas…velhas manias. E eu, que já não tenho paciência para cozinhar.

J.- bem, então até amanhã minha senhora.

R.- até amanhã, Jacob. Fecha a porta.

(Jacob sai. Passados uns segundos, a campainha faz o som que Raquel tinha ensinado)

(risos de Jacob)

R.- (ri) – engraçado, este rapaz. Tímido, calado, mas não é estúpido.

(Faz o som no piano)

Maio de 68…vinte anos…(cantarola “ Ai quem me dera ter outra vez vinte anos…”)

Ter outra vez 20 anos? (risos) para quê? Raquel, Raquel, não tens sido assim tão infeliz…(espelho) ainda és bonita, nunca foste daquelas que aos 30 anos já pareciam a avozinha!

Ai, estes papeis, tenho de ter tempo para arrumar isto.

E tenho de traduzir aquele conto do jovem Austríaco. Dizem que é uma esperança. Pobre Áustria, bem precisa de ideias novas.

(Campainha com o som Maio 68)

Jacob? Que foi ?

( abre porta ou J. entra)

J. – minha senhora , desculpe, mas como disse que se aborrecia de cozinhar, se quiser eu ajudo.

R.- o quê? Sabes cozinhar? Já vi que és um rapaz muito prendado. No meu tempo eras o que se podia chamar um bom partido…coitados, não sabiam fazer nada, sempre debaixo das saias da mãe.

J.- a mim quem me ensinou foi o meu avô.

R.- e a tua mãe deixou?

J.- eu quase não conheci a minha mãe. Uma doença má.

R.- desculpa, Jacob.

J.- olhe, sei fazer caldeirada do melhor que há. E tem ali tudo o que é preciso. A senhora gosta de arroz à Valenciana?

R.- Jacob deixa de me tratar por senhora. Senhora isto, senhora aquilo.

J.- sim, minha senhora.

R.- eu sou Raquel. Raquel, ouviste?

J.- sim, senhora dona Raquel.

R.- sempre o senhora. Dona Raquel já chega.

J.- sei fazer aquelas coisas, mas também posso fazer ovos estrelados, batatas fritas.

R.- queres aprender para teres um restaurante, é isso?

J.- se eu pudesse, ao menos nunca mais passava fome.

R.- se não tivesses clientes, comias aquilo tudo.

J.- Tudo, não. Convidava a Dona Raquel para me ajudar.

(risos)

R.- ai que malandro!

J.- o que é que quer que eu faça?

R.- ah isso não sei. Já que és malandro, quero que me surpreendas.

J.- e se isto corre mal?

R.- Jacob, a vida é um risco.

J.- isso já eu sei.

(Sai)

R.- (ao piano canta Lili Marleen)

(Entra J.com avental, uma tigela com batatas e uma faca. Senta-se e descasca. Sai)

J.- (entra) que bonito. Mas não percebi nada.

R.- era Alemão. Bonito, não é ? Era a canção preferida dos soldados do Hitler. Românticos ao mesmo tempo que matavam milhões de pessoas.

J.- matavam e morriam.

R.- matavam e morriam. Tens razão. E tanto os que morriam como os que matavam tinham os mesmos sentimentos de amor, de saudade da fraulein que ficou à espera.

J.- da quê?

R.- da fraulein, a rapariga, a miúda.

J.- a senho…a dona Raquel é Alemã ?

R.- Austríaca, é mesmo ao lado.

J.- e veio para cá. Lá faz frio, não é? Aqui há sol, há calor.

R.- lá fez sempre muito frio.

J.- e nunca voltou?

R.- fiz um concerto em Viena, na capital. Fora do concerto continuava a fazer frio.

J.- acho que já deve estar quase pronto.

R.- vai ver, eu ponho a mesa.

(Raquel vai buscar mesa de rodas. Está pronta com pratos,  guardanapos, vinho, copos. Raquel acende velas)

R.- que interessante. Matavam e morriam. Tão novo e a perceber a verdade da guerra.

(cena do jantar. Aprendizagem cómica de “saber estar e saber comer”)

R.- e agora, imaginemos que estamos na Áustria naquelas festas com as valsas do Strauss…

(de um armário tira uma casaca)

Veste isto. É velha, mas serve. Está sempre na moda. Que parolos! Querem mudar o Mundo e estão sempre a usar as mesmas farpelas. Já venho.

(Jacob, de casaca, retira a mesa de cena)

(Raquel volta com vestido branco comprido, dançando ao som de valsa. Baile, ensina Jacob a dançar)

R.- estou cansada. Vai Jacob, vai. Desaparece entre as brumas do nevoeiro.

J.- até amanhã, Dona Raquel. Gostei muito e obrigado.

R.- não agradeças. Foi como na guerra, matar e morrer.

Recebeste e deste prazer.

(Jacob sai. Raquel imita danças e poses diante de um espelho)

2.

(Raquel escreve num computador portátil.)

R.- estes pos-modernos, estou farta disto. Não se percebem as estórias, nem sentimentos, nem lágrimas, nem gargalhadas, não há sangue, não há vida.

Cala-te Raquel, cala-te. Olha que este dinheiro faz te falta.

Que ridículos! Querem fazer o Picasso e o Kandinsky em literatura. Pobre Shakespeare.

E depois querem que as pessoas leiam, que comprem livros. E queixam-se que esta populaça, como eles dizem, passe a vida com o tele-lixo, programas ordinários, sem nenhuma dignidade.

Vá lá, às vezes até há umas novelas que se aguentam. E fazem companhia a muitas velhotas. São as novas famílias que elas arranjam. Os filhos fugiram, do mal o menos. E há uns miúdos e miúdas giros e com jeito. Nem todos, também não querias mais nada oh Raquelzinha.

(quer pôr café, está vazia)

 (telefone)

Sr. Bento, já não tenho café. Ah, obrigado.

(Sai e volta)

Deve ser o Jacob, fica já a porta aberta.

(campainha com o som Maio de 68)

Entra, deixa a campainha.

J.- era para treinar. O cafezinho. Sempre a escrever, sempre a escrever. Isso não faz mal aos olhos?

R.- o que faz mal aos olhos é ver coisas feias. Olha, lembraste-me uma canção bonita. Percebes Inglês?

J.- um bocadinho. Já trabalhei de férias no Algarve, se um gajo não sabe Inglês não arranja emprego.

R.- sim, eu sei. Não é Algarve, é Allgarve…

J.- há uns que já lhe chamam o Alarve.

(gargalhadas)

R.- (ao piano)

 

Imagine there’s no   heaven,

It’s easy if you try,

No hell below us,

Above us only sky,

Imagine all the people living for today…

Imagine there’s no   countries,

It isnt hard to do,

Nothing to kill or die for,

No religion too,

Imagine all the people living life in peace…

Imagine no   possessions,

I wonder if you can,

No need for greed or hunger,

A brotherhood of men, imagine all the people

Sharing all the world…

You may say I’m a   dreamer, but

Im not the only one,

I hope some day you’ll join us,

And the world will live as one

 

R.- lindo, não é ?

J.- é, mas há coisas que eu não percebo.

R.- eu traduzi para português. Também é bonito.

( a pouco e pouco cantam os dois)

Imaginem que não há Paraíso

É fácil se experimentarem

Nem Inferno por baixo de nós

Por cima de nós só há o Céu

Imaginem toda a gente

Vivendo o dia a dia aha

Imaginem que não há países

Não é difícil tentar

Nada por que matar ou morrer

E também nenhuma religião.

Imaginem toda a gente

Vivendo a vida em paz yuhuh

Podem dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia se juntem anos

E o mundo será só um.

Imaginem não haver propriedades

Eu pergunto-me se vocês conseguem

Não existir nem avidez nem fome

Uma irmandade do homem

Imaginem toda a gente

Partilhando o mundo inteiro yuhuh

Podem dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia se juntem a nós

E o mundo viverá como um só

J.- e depois mataram-no.

R.- lembro-me de ter lido uma frase de Jimmy Cárter, um antigo Presidente dos Estados Unidos : é doloroso pensar que John Lennon tenha sido morto com violência, depois de ter realizado tantas campanhas pela Paz.

J.- a dona Raquel sabe essas coisas todas.

R.- fui obrigada a saber.

J.- obrigada ?

R.- olha lá, tu não tens que ir ajudar o sr. Bento na mercearia?

J.- o sr. Bento disse para eu só ir quando a senhora dona Raquel quiser. Para eu a ajudar.

R.- outra vez a senhora…

J.- é assim que o sr. Bento fala. Porque é que não toca outra coisa?

(R. toca Glenn Miller, talvez In the mood e Jacob dança)

R.- bravo, bravo. Oh senhor Jacob, o senhor é um artista. Tem que ir a uma audição, isso que agora chamam castings, para deixar a mercearia.

J.- e vou deixar o sr. Bento sozinho? Até parece mal.

R.- lá isso é verdade. Ele disse que tu podias ficar aqui o tempo que eu precisasse.

J.- é isso, não há problema.

R – és muita cool, meu…

(Risos)

Ouve, tenho de sair, não quero deixar a casa sozinha, recebi muito dinheiro, está ali dentro, no meu quarto, naquele cofre pequeno. Tenho uma reunião, dentro de uma, duas horas, estou aqui.

j. – nã, nã, eu não fico, eu vou-me embora.

R. – parece impossível. Não podes fazer um favor?

Eu andei na droga, nem quero pensar nisso.

Roubava carros, partia vidros para tirar qualquer coisa , vender e apanhar o pó, depois já era heroína…uma merda.

Até que comecei a vender para aguentar o vício. Rebentava com tudo.

Havia muita crise, a gente sofria com falta daquilo. O que vale é que a policia apanhava carregamentos e a partir dai já estávamos fornecidos.

Os gajos protegiam-me, nunca estive de cana.

Armei-me em dealer, um gajo pensa que vai subir na vida como nos filmes, é um engano, são sonhos de merda…desculpe, minha senhora…

Comecei a não passar bem, havia gajos que morriam, depois a  sida, mas houve um chaval muita cool

R – um rapaz fixe

…pois,  um gajo porreiro, suicidou-se ..mulher, filhos, não aguentei….saí daqui, fui pr’a terra, lá aguentei, sofri que não desejo a ninguém, mas safei-me…e tenho medo de ver dinheiro e dar-me a doença outra vez…não quero cá ficar, desculpe, gosto muito da senhora, mas nem pensar nisso…

R.- mas ganhaste bom dinheiro

Não, nunca fiquei rico. E olhe, também nunca descobri quem é que mandava nisto tudo. Se quiserem investigar como deve ser, acho que é fácil. Boites e restaurantes que abrem e fecham por dá cá aquela palha, os bancos, o dinheiro que eles põem lá fora, os gajos da bola…é só lavagem de dinheiro, há de ser o quê? eles andam metidos em tudo e é perigoso. De vez em quando matam gente que sabe demais, ou que não pagam a horas. É um Inferno.

R. –tu tinhas um segredo mau… eu tinha a certeza.

J.- tinha a certeza?

R.- quando eu disse “ a vida é um risco”, respondeste “isso já eu sei”.

(abraços, beijos ternos na face, acariciar os cabelos)

Se quiser, pode sair. Agora já não tenho medo, posso ficar.

R. – não, não é preciso. Eu não vou sair. Era mentira, não tinha nenhum dinheiro no cofre.

J.- o quê? Era para me experimentar?!

R.- Foi. E deu resultado.

J.- és muita cool oh minha…

(R. dá-lhe um barrete de cozinheiro e um avental branco e Jacob imagina um bailado)

J.- ah, gostou do que eu fiz e quer mais.

R.- pode ser.

J.- hoje faço o arroz à Valenciana. Que o meu avô aprendeu com um Espanhol fugido da Guerra Civil. Ainda o conheci, andava sempre escondido, cheio de medo. Mas quando se juntava com o meu avô a tocar e a cantar flamengo …

(canta e imita viola e castanholas e passes de dança)

Bebiam e riam, riam e bebiam…o Alonso tinha uma conversa que todos pediam para ele dizer.

Não percebo, no entiendo porque há gente que tem um peixe dentro de um aquário…isso não é animal doméstico, não é nada. Não ladra, não morde, não rói cortinas nem sofás, não arranha, não mija pelos cantos, não faz barulho, para que é que isso serve?

(risos)

R.- esse teu avô…

J.- foi tudo. Avô, pai, tio, irmão, amigo, ensinou-me a ler, mostrou-me a vida, foi um grande desgosto.

R.- sim, mas tu ao menos tiveste alguém.

J.- Dona Raquel, porque é que sobre a morte do John Lennon e essas coisas de politica disse “fui obrigada a saber”?

Eu fui daquelas crianças que vieram para estes países para não serem mortas pelos nazis. Eu vinha da Áustria e outros da Hungria.

Fui recebida numa casa muito rica, trataram-me bem. Tinha de trabalhar mas também me educavam.

E um dia fomos muitos para uma festa no campo. Com picniques, cavalos, brincámos, foi muito bonito.

E depois o senhor levou-me para um celeiro e…

J. – deixe isso.

Violou-me, depois soube que fizeram isso a outros meninos e meninas.

E se a gente falasse mandavam-nos outra vez para os nazis.

E mostravam-nos retratos desses campos, que era de meter medo.

Depois a gente até servia para uns amigos dele se divertirem. Havia de tudo. Diplomatas, padres, banqueiros, industriais, professores Universitários, artistas…a gente sabia porque alguns  até tinham orgulho em dizer quem eram e outros sabíamos porque as criadas nos diziam.

E a gente calava-se.

J.- mas quem é essa gente? Nomes, nomes…

Isso não digo. São famílias conhecidas e esse bandido até era de família de bom nome.

Aprendi a calar muitas coisas  quando soube que um tio meu, acabou por ser um capo, um capo era um judeu que colaborava com os nazis para ter algumas regalias. O meu tio foi guarda de um campo de concentração, onde estavam muitos judeus que ele tinha denunciado. E soube que tinha sido ele que tinha levado os meus pais e a irmã para a morte pelo gás.

Em todas as famílias pode haver um bandido, e eu não quero manchar a honra das outras pessoas.

Mais tarde a senhora descobriu esses negócios, foi um escândalo, eu saí dessa casa, fui para um lar de freiras onde me trataram muito bem. Aprendi musica, fui professora, casei e o meu marido morreu muito novo num desastre . Veio um camião…

J.- e nunca mais se soube quem você era ?

Mudei de nome, fiz outra vida.

J.- teve de mentir  …

(musica Java?)

Se eu menti? Se eu minto ?claro que menti e mentirei sempre que for preciso. Eu sou uma sobrevivente, eu era uma peça de caça, um coelho, uma lebre, uma perdiz para ser apanhada por esses caçadores de judeus.

E mais tarde, já mulherzinha, foram as minhas mentiras que salvaram muita gente e ajudaram muitos perseguidos.

(Lágrimas…)

J.- vou fazer o arroz à Valenciana.

R.- não, não faças. Deixa-me, vai-te embora.

(J. sai em silencio)

(J. acaba de mudar uma lâmpada)

J.- já está. Mais alguma coisa?

R.- não, está bem. Já me ajudaste muito. E eu estava muito em baixo.

J.- como a dona Raquel me disse, faz bem desabafar.  Quer ouvir um poema que o meu avô me ensinou? Do Camões, grande paixão da vida dele.

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando se com vê la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;

começa de servir outros sete anos,
dizendo:-Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida

R.- Jacob servia Labão , pai de Raquel

J.- serrana bela

R.- e a ela só por prémio pretendia

J.- é um bonito poema de amor, não é ?

R.- é um lindo poema de amor. Obrigado, Jacob.

Mas é mais que isso. Quando se luta por uma coisa que se

quer, não interessa o tempo nem o sacrifício.

J.- porque todo esse tempo é uma dádiva de amor.

R.- não sei porquê, acho que tu sais ao teu avô

J.- até amanhã, Dona Raquel

R.- não, tu hoje ficas cá em casa.

(canção com o poema “sete anos de pastor”)

FIM

 

 

 

 

 

 

3 Comments

  1. Esta iniciativa inicia-se com chave de ouro! Foi com muito gosto que li a contribuição do Helder Costa. Com grande sensibilidade, conta-nos uma relação de amizade, à partida improvável, mas possível. Com os pés bem na terra – a descrição dos traumatismos, os do passado, da guerra e do oportunismo dos falsos protectores, os da toxidependência – mas com muita ternura. E consegui imaginar as palavras em cenários possíveis, em ritmos possíveis, na cumplicidade que o Helder transmite. Um raio de esperança na raça humana, no começo de um dia de sol.

  2. Gostei muito da peça. Achei-a triste e leve ao mesmo tempo : como se o tempo e o contato com o mais jovem curasse as feridas. Lembrou-me um verso de Pushkin: ” minha tristeza é luminosa”.
    Rachel Gutiérrez

  3. Esta rubrica começou com duas excelentes peças, não se compreendendo por que motivo (ou motivos) não foram representadas.Com Raquel e Jacob, Hélder Costa cria duas personagens que demonstram que o chamado “fosso geracional” mais não é do que uma convenção. Com Palavra de Mulher, Rachel Gutiérrez, sem demagogia, sem usar os consabidos chavões do feminismo militante, fanático, colocando em cena quatro mulheres inteligentes e que, pelo poder da palavra, dão um espectáculo de lucidez, constrói um hino à igualdade plena de direitos. Na próxima semana, teremos uma peça de Fernando Correia da Silva – Penhasco, baseada num episódio ocorrido durante a Guerra Civil de 1936-39.

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