Pentacórdio para Sexta-feira, 10 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

   Por contraste, esta Sexta-feira, 10 de Maio é bastante mais pobre que a véspera, fazendo-nos hesitar sobre qual o evento de abertura a destacar.

 

   Digamos então que quem se deslocar até ao Centro Cultural de Belém nessa noite, poderá optar entre estilos musicais bastante distintos ali disponíveis.

 

fado antigo

   No Grande Auditório, às 21h, os amantes do fado tradicional terão uma sessão de “Fado Antigo”, integrada no ciclo Há Fado no Cais numa co-produção CCB/Museu do Fado.

CCB-Fado   No palco estarão (como diz o CCB) «quatro “testemunhas” de uma geração marcante da história do fado, a cujos vários estilos dão corpo … Artur Batalha é um dos mais aclamados intérpretes do fado castiço. Beatriz da Conceição é reconhecida pelos grandes fadistas actuais como uma das referências da história do fado. Maria da Fé, cujo contributo foi decisivo para a internacionalização do fado, fundadora da casa de fado Sr. Vinho, hoje importante espaço cultural de Lisboa. Vicente da Câmara, fadista aristocrata, não tanto por berço mas por, nas suas palavras, ser “aquele que sobressaiu”… »

   Aos mais nostálgicos deixamos as ligações à “RTP Memória” disponíveis no site do CCB para uma canção de cada fadista : de Artur Batalha  Tempos de Criança  http://youtu.be/PXpFcGOHCDQ , de Beatriz da Conceição Fado do Adeus  http://youtu.be/k4OX9VVrT0o , de Maria da Fé  Maldição  http://youtu.be/nlhpnfI5QFs e de  Vicente da Câmara A Moda das Tranças Pretas  http://youtu.be/nUXaLZlpL5w

   Optámos por lhe mostrar uma interpretação recente (Coliseu, 2010) do tema de José Fontes Rocha/José Luís Gordo “Cantarei até que a voz me doa” por Maria da Fé :

 

 

 

Motion-Trio

   No Pequeno Auditório, às 21h, exibe-se o “Motion Trio”, um trio de acordeonistas polacos considerados um fenómeno da música europeia e mundial e, eventualmente, apontados como sendo três dos melhores instrumentistas da actualidade.

   Fundado em 1996 por Janusz Wojtarowicz, líder e autor da maioria das composições, compôem-no também Paweł Baranek e Marcin Galażyn e distinguem-se, no essencial, por «estarem continuamente a explorar as novas possibilidades do acordeão, fazendo-o chegar aos seus limites e tirando partido de todas as suas possibilidades» (diz o CCB), o que terá contribuído até para mudar a maneira como este instrumento era visto.

   Esta é uma sua extraordinária prestação num concurso polaco em Outubro de 2011 :

 

 

 

 

   No campo de música mais “clássica”, pode o leitor beneficiar dos generosos contributos dos Solistas da Metropolitana que, além daqueles que ontem divulgámos e que hoje se repetem, se apresentam também nestes espaços  com o habitual acesso gratuito :

 

 

   Nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, às 13h desta Sexta-feira, 10 de Maio, os Solistas da Metropolitana  Maria Bykova violino, Madalena Rodrigues violino, Joana Tavares viola e Nuno Cardoso violoncelo irão interpretar :

        Dmitri ChostakovichQuarteto de Cordas em Dó menor n.º 8, op. 110

   Seguem-se outros Solistas, Virgílio Marcelo violino, Lyza Valdman violino, Paul Wakabayashi viola e Pedro Silva violoncelo para tocar de :

        Ludwig van Beethoven  –  Quarteto de Cordas em Ré maior op. 18/3

   Há do conjunto de Maria Bykova (com Nuno Cardoso e outros músicos) alguns registos elucidativos, como este do Quarteto nº 2 de Joly Braga-Santos :

 

 

   Na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, às 19h, da mesma Sexta 10, é a vez dos Solistas da Metropolitana  Diana Ramada flauta, Samuel Matos clarinete, Lívio Dias oboé e Roberto Erculiani fagote interpretarem um programa onde consta :

        A. R. Cuninghame –  Serenata

        Friedrich KuhlauSonatina (arranjo de Whitney Tustin)

        Claude ArrieuSuite

   Mais tarde, os também Solistas Eva Mendonça flauta, Vera Duque violino e Paul Wakabayashi viola abordarão :

        Ludwig van Beethoven  –  Serenata, op. 25

 

   Também na Sala dos Espelhos do Palácio Foz há um Concerto Coral de entrada livre por iniciativa da Embaixada de Itália, onde o “Coro Feminino ACDMAE” (da Associação dos Cônjuges dos funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros) sob a direcção de Nancy Romano entoará canções dos seguintes compositores :

   G.Caccini ; G.F.Händel ; G.B.Pergolesi ; L.De Filippi ; M. Leontovich ; A.Ramirez ; J. Lynne ; L.Denza ; E. De Curtis ; R. Falvo.

   Dum concerto dado em Perugia em Março de 2012 obtivémos este curto excerto :

 

 

 

 

   Os amantes de jazz têm, a par do Hot Club (ver Pentacórdio de Quinta), no Onda Jazz, às 22h30, bruno santosnova actuação do Quinteto que o guitarrista Bruno Santos (foto) formou recentemente com João Moreira trompete, Jeffery Davis vibrafone, Nelson Cascais  contrabaixo e André Sousa Machado bateria, músicos « cuja criatividade (ele reconhece) enriquece e preenche a música que concebi para este 5to, que mistura várias influências de toda a música que tenho ouvido nos últimos anos».

   Esta foi o registo da sua estreia recente (2 de Maio de 2013) no Hot Club de Portugal :

 

 

 

 

arco-cego   Como última curiosidade no campo musical, termina neste fim-de-semana (desde esta Sexta 10 de Maio até Domingo 12) o “Festival de Música Arco do Cego” que tem decorrido desde 15 de Fevereiro na Antiga Estação de Eléctricos do Arco do Cego onde, às 21h30, será apresentada a versão cénica de “A Flauta Mágica” de W.A. Mozart.

 

 

 

   Por fim, quanto a conferências/debate, há nesta Sexta-feira, 10 de Maio, um Colóquio Internacional sobre “Mobilidade social e desigualdades em tempos de austeridade”, organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra em colaboração com o Institut Français de Portugal, que decorrerá no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian a partir das 9h e com entrada livre.affiche

   Enquadrando:

   «Em sociologia, o termo “mobilidade social” faz referência à evolução do estatuto social de um indivíduo ao longo da sua vida. Em economia e política, a mobilidade social aborda questões de desigualdades sociais, de igualdade de oportunidades, de redistribuição dos recursos e de acesso ao conhecimento.

   O fraco crescimento económico e a austeridade orçamental com que numerosos países europeus estão hoje confrontados, vêm relançar o debate sobre as possibilidades reais de promoção na hierarquia social. O crescimento quase inexistente das economias europeias, o desemprego massivo e as dificuldades actuais dos jovens diplomados no que respeita à integração no mercado de trabalho parecem constituir verdadeiros obstáculos à ascensão social, tão prometida pelo modelo meritocrático das democracias europeias.

   A experiência vivida pelos atingidos por esta “desvalorização social” faz emergir  sentimentos de frustração e de injustiça, sentimentos que têm como símbolo vivo as manifestações, cada vez mais frequentes, de “indignados” e de outros movimentos sociais contestatários da ordem económica estabelecida.

boaventura sousa santossergepaugam2   Qual é então a situação da mobilidade social, hoje, em países em que o Estado-Providência parece adelgaçar-se de dia para dia, em benefício do imperativo de competitividade económica? Como chegámos a esta situação apesar da democratização do acesso à Educação e da implementação de políticas sociais?

   Como romper o ciclo vicioso que liga a origem social às trajectórias de vida, em países tão fortemente submetidos ao rigor orçamental, em que as políticas sociais se desmoronam progressivamente?».

   A conferência de abertura, às 9h45, cabe a Serge Paugam, Sociólogo (EHESS e CNRS), apresentado por Sandra Monteiro, jornalista do “Le Monde diplomatique”, enquanto que a conferência de encerramento estará a cargo de Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo e Director do CES da Universidade de Coimbra.

  

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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