Há quase um século que Rosa Luxemburgo enunciou alguns dos termos da oposição entre o socialismo e a barbárie, no seguimento de uma análise do papel da I Grande Guerra Mundial (e das guerras em geral) na domesticação e no esmagamento das classes trabalhadoras. Pôs a claro que as guerras entre os povos são o complemento fatal dos desenvolvimentos do capitalismo, e da concorrência entre a burguesia, na sua afirmação ao nível nacional e mundial. A história parece ter-se esforçado no sentido de mostrar a justeza dos seus pontos de vista. Hoje em dia parecemos estar a assistir a um espectáculo em que alguns mandantes, ligados a interesses bem claros, procuram evitar choques directos entre si, mas recorrem a figuras intermédias, recorrendo a métodos e a comparsas os mais variados. Claro que podem ocorrer derrapagens nestes cálculos, e uma guerra planeada derrapar noutra de proporções não previstas.
A guerra na Síria é um exemplo típico. Por entre poderosas barragens de propaganda, fomentando conflitos de diversa ordem, estabelecendo alianças obscuras, o Ocidente fez com que aquele país mergulhasse num caos aflitivo, invocando a necessidade de derrubar o ditador Assad. Inclusive acirrou-se o conflito entre facções do islão, incluindo a Al-Qaeda, que ali se apresenta como aliada de forças pretensamente democráticas. Imensos recursos são aplicados nesta autêntica cruzada e o número de vítimas é enorme.
Recentemente falou-se de que estaria a ser usado gás sarin pelas forças beligerantes. Disso foi acusado o governo de Assad. Contudo apareceram dúvidas, caindo agora as suspeitas no lado oposto. Entretanto na comunicação social norte-americana apareceram vídeos mostrando um comandante rebelde cometendo actos de antropofagia. Com o maniqueísmo característico, ainda se tentou fazer passar o caso como propaganda do lado de Assad. Contudo as dúvidas parecem dissipadas. Indicamos a seguir o link de Slate, onde se pode ter acesso a informações sobre o assunto. A selvajaria ali visível prova que estamos numa época de grande retrocesso civilizacional. É cada vez mais duvidoso que alguém possa sair beneficiado por um conflito tão cruel, a não ser os fabricantes e negociantes de armas, ou com interesses próximos. Com todo o respeito pelas vítimas, e pelos seres humanos em geral, o link é o seguinte:

