Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
(de “O Guardador de Rebanhos”)
Segundo uma carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, o heterónimo Alberto Caeiro nasceu próximo de Lisboa em 1889 e morreu em 1915. Ainda segundo essa carta, Caeiro teve três discípulos, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e o próprio Fernando Pessoa. Grande número de poemas de “O Guardador de Rebanhos” teria sido escrito no famoso dia 13 de Março de 1914.