REVIVENDO UMA VIAGEM À LUA – MELIÉS DE NOVO por clara castilho

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Depois da pintura e da  fotografia, o cinema constituiu uma nova forma de entretenimento, novos horizontes para sonhar, expressar sentimentos, novo passo em frente com um novo registo . Com o cinema, o registo dos acontecimentos ganhou movimento, tendo-se seguido a ficção de histórias. As histórias contadas influenciam a vida em sociedade, quer introduzindo novas ideias e tendo uma intervenção pedagógica, quer permanecendo com ideias mais conservadoras.

Depois do cinetógrafo, em 1890, depois do primeiro estúdio de cinema, em 1893, depois do vitascope em 1896, em França, os Irmãos Lumières inventaram o cinematógrafo, cuja patente foi registada em 1895.

Nesse mesmo ano foi produzido e exibido, no “Grand Café”, em Paris, o filme “La Sortie des Usines Lumières ( a Saída da Fábrica Lumière), que é hoje considerada a primeira película da história do cinema. Tal como esta, os filmes da época eram sempre feitos sobre situações do quotidiano, como o trabalho ou relações familiares. E começaram a perder a magia das primeiras apresentações. Mas, felizmente, graças à imaginação de George Méliès, o cinema tomou um novo rumo.

A ideia de Méliès foi transformar os sonhos das pessoas em imagens animadas na tela, sendo o primeiro inventor de ficções cinematográficas. Alguns de seus trabalhos foram os filmes “Viagem à Luz” (1902) e “Viagem Através do Impossível” (1904).

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“A Viagem à Lua”, de 1902, inspirado nos livros Da Terra à Lua e À Volta da Lua, de Julio Verne, publicados em 1865 e 1869,  realizado três anos antes da morte de Verne.  É interessante ver como mais de 100 anos depois e mais de 40 após a chegada do homem à Lua, o filme ainda suscita, em crianças e adultos, o fascínio e o encanto da viagem e da descoberta do universo.

Não é difícil, assim, imaginar como “A Viagem à Lua”, de Júlio Verne, incendiou a imaginação dos seus leitores em 1865 e, da mesma forma, Méliès em 1900 com seu filme, Os filmes de Méliès são uma mistura de mágica, show de ilusionismo em cenas curtas meio irreverentes ou em pequenas aventuras como o filme da viagem à Lua e a viagem ao Polo Norte.

 Hoje, é com um sorrido que vemos estes filmes, mas o visual e efeitos especiais concebidos por Méliès revelaram-se à frente do seu tempo e abriram caminho para muitos dos conceitos e técnicas cinematográficas que, hoje, tomamos como garantidos. É impressionante saber que vários desses filmes já eram coloridos manualmente, quadro a quadro, num processo que levava cerca de quatro meses por exemplar.

Este filme também tem outra história pitoresca. O filme foi pirateado, inclusive por técnicos da Edison Company, que distribuíram cópias ilegais nos Estados Unidos e impediram que Georges Méliès lucrasse com a distribuição neste país. Ficou famoso mas ficou falido! Para além disto, durante anos, “Viagem à Lua” foi dado como desaparecido. No entanto, no início da década de 90 um anónimo doou uma cópia a cores do filme à Cinemateca de Barcelona. Iniciou-se, então, um lento processo de restauro, cujo resultado foi exibido no Festival de Cannes de 2011.

Martin Scorsese, levou esta época e a importância de Meliés no cinema no filme ” A Invenção de Hugo Cabret”.  Com as possibilidades da época actual podemos ver como terá sido a construção do filme anterior.

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