POESIA AO AMANHECER – 202 – por Manuel Simões

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FERNANDO PESSOA / ÁLVARO DE CAMPOS

MAGNIFICAT

Quando é que passará esta noite interna, o universo,

E eu, a minha alma, terei o meu dia?

Quando é que despertarei de estar acordado?

Não sei. O sol brilha alto,

Impossível de fitar.

As estrelas pestanejam frio,

Impossíveis de contar.

O coração pulsa alheio,

Impossível de escutar.

Quando é que passará este drama sem teatro,

Ou este teatro sem drama,

E recolherei a casa?

Onde? Como? Quando?

Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?

É esse! É esse!

Esse mandará como Josué para o sol e eu acordarei;

E então será dia.

Sorri, dormindo, minha alma!

Sorri, minha alma, será dia!

É Fernando Pessoa quem refere que Álvaro de Campos nasceu em Lisboa em 13 de Outubro de 1890, e viajou muito pelo Oriente e pela Europa, vivendo principalmente na Escócia; e que era engenheiro naval e poeta futurista (interseccionista na terminologia pessoana). Surgiu pela primeira vez em “Orpheu 1” (Março de 1915) com a “Ode Triunfal”, a que se seguiu a “Ode Marítima” em “Orpheu 2” (Julho de 1915).

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