Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué para o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!
É Fernando Pessoa quem refere que Álvaro de Campos nasceu em Lisboa em 13 de Outubro de 1890, e viajou muito pelo Oriente e pela Europa, vivendo principalmente na Escócia; e que era engenheiro naval e poeta futurista (interseccionista na terminologia pessoana). Surgiu pela primeira vez em “Orpheu 1” (Março de 1915) com a “Ode Triunfal”, a que se seguiu a “Ode Marítima” em “Orpheu 2” (Julho de 1915).