EDITORIAL: AS LETRAS E A LÍNGUA DE UMA NAÇÃO

Diário de Bordo - II

 

Hoje é o Dia das Letras Galegas. A Viagem dos Argonautas assinala-o com vários posts realçando a importância das letras na cultura da Galiza, e na valorização que representam para os galegos, e não só, também para os portugueses. A valorização das Letras, da língua  e da cultura em geral é um aspecto essencial para a afirmação de uma nação, e na Galiza percebe-se haver uma forte consciência da sua necessidade.

O poder central castelhano também  parece ter forte consciência das implicações daquela valorização. Tem sido sua prática, desde há muito, ir contra as autonomias, para obviamente assegurar a sua sobrevivência. Para usar uma linguagem mais clara: procura acabar com todas as veleidades de autonomia das várias nações que vão coexistindo sob a monarquia dos Bourbons, que hoje vai subsistindo dando um espectáculo pouco edificante e nada democrático. E assim, os defensores da supremacia castelhana, entre outros processos, procuram sistematicamente desacreditar todas as manifestações autonómicas, incluindo as linguísticas e culturais. Para tal, não hesitam em recorrer à injúria e á deturpação.

Tivemos ontem conhecimento de mais um episódio triste, este não na Galiza, mas na Catalunha, através de uma mensagem do argonauta Josep Anton Vidal, que esperamos publicar rapidamente. Enquanto que por todo o lado os representantes do poder central procuram desacreditar o uso da língua catalã, inclusive impondo-lhe outras designações nos locais, fora da Catalunha,  onde ela é a língua tradicional, como aconteceu recentemente numa zona do Aragão, TeleMadrid não hesitou há dias em equiparar ao nazismo as reivindicações nacionais catalãs. Enquanto isto a delegada do governo espanhol na Catalunha, Maria de los Llanos Luna, não se coibiu de participar numa homenagem à Guarda Civil, durante a qual foi distinguida a Irmandade dos Combatentes da Divisão Azul, aquela que foi enviada por Franco para combater na Rússia com as tropas de Hitler. Eis o que se pode classificar, sem sombra de dúvida, como um processo tortuoso.

1 Comment

  1. obrigado, caros argos… sim, a nossa língua renasce, apesar de tudo, ainda abafada pelo Estado Espanhol: uma brilhante prova recente foi a unânime aprovação no Parlamento galego da proposta de lei para o ensino do português padrão na Galiza, “cousa” nunca vista, abofé!

    não sei o que o Josep terá a dizer, mas imagino: na Galiza tb somos submetidos a esses cinismos: recentemente a AGAI (olhai na Rede…) tb qualificou de nazistas os nacionalistas galegos do Beiras (José Manuel), em contubérnio com a direita mais rançosa do EE (o que algo diz da AGAI, sempre a se querer achegar à “esquerda”, não vá ser que fique desmascarada do que realmente é); só me ocorre um comentário, e desculpai o castelhano do D. Quixote: “ladran, luego caminamos”…

    saudinha e boa festa das Letras (aqui em Londres celebramos hoje num pub…)

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