Pentacórdio para Domingo, 19 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

 

   São também muito pouco abundantes as escolhas possíveis neste Domingo primaveril, pelo que lembraremos algumas exposições prestes a encerrar e recordaremos eventos omitidos por lapso.

 

   Contudo, para quem se desloque ao Centro Cultural de Belém neste 19 de Maio (Domingo) há ainda, na Sala Luís de Freitas Branco, às 11h, um recital dado pelo duo Pedro FerroNelson Ferreira violoncelo e Pedro Ferro pianoNelson Ferreira constando de obras compostas no século XX que representam vários estilos e diferentes abordagens à escrita para violoncelo e piano.

   Na primeira parte, recordam-se duas das figuras de maior destaque do panorama musical português, Fernando Lopes-Graça e Luís de Freitas Branco. Na segunda, homenageia-se Francis Poulenc, um dos compositores franceses mais importantes da sua geração, no cinquentenário da sua morte. Para encerrar o recital, optaram pela alternância entre a energia e o lirismo do mais moderno Astor Piazzolla.

   Vão assim ouvir-se :

         Fernando Lopes-Graça   Três Canções Populares Portuguesas, op. 80

         Luís de Freitas Branco    Sonata para violoncelo e piano

         Francis Poulenc                Sonata para violoncelo e piano, FP 143

         Astor Piazzolla                  Le Grand Tango

 

   Há apenas este registo (com filmagem sui generis) duma actuação do Duo no Palácio Foz em Junho de 2012 a ouvir aqui http://youtu.be/hJcnjU7jwYk  ; deixamo-lo, leitor, com a gravação integral da peça assaz conhecida de Poulenc, interpretada por outro duo, o pianista Jacques Février e o violoncelista Pierre Fournier :

 

 

   Para os amantes de literatura e que se encontrem também no CCB, assinale-se que no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém se celebra neste Domingo, 19 de Maio, das 14h30 às 19h30, com entrada livre, o Dia Carlos Queiroz, uma iniciativa com a colaboração do Centro Nacional de Cultura.

DIA_CARLOS_QUEIROZ_(foto)   Lembra o CCB que “Carlos Queiroz (1907-1949) foi um dos grandes poetas do segundo modernismo. Autor de “Desaparecido” (1935) e de “Breve Tratado de Não Versificação” (1948), foi amigo de Fernando Pessoa e decisivo contacto com o movimento da “Presença”. Compreendeu especialmente a força da criação poética e afirmou: «todos os poetas são acompanhados – às vezes mesmo tiranicamente perseguidos – por entes invisíveis que se exprimem numa linguagem desconhecida de natureza mais musical do que idiomática». Disse-o assim de Pessoa, mas poderia ser um auto-retrato”.

   O programa da homenagem pode ser aqui consultado.

   Dele constam comunicações de diversos palestrantes desde Vasco Graça Moura ou Alberto Vaz da Silva a Guilherme Oliveira Martins ou Fernando Pinto do Amaral. Há também a inauguração duma exposição “Carlos Queiroz e os artistas do seu tempo” (comissariada por Maria da Graça Queiroz) e o lançamento dum livro de Maria Bochiccio “Carlos Queiroz e Bernardo Marques – do poema ao desenho”.

  Por fim recitar-se-á poesia de Carlos Queiroz e será cantada música sobre letra sua pela soprano Alexandra Bernardes e por Carlos do Carmo.

   Uma delas é “Canção Grata” musicada por Teresa Silva Carvalho, aqui cantada por Joana Amendoeira :

 

 

 

 

   E é o essencial por hoje. No entanto devemos lembrar duas NOTÍCIAS EM ATRASO não referidas ontem.

 

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Cartaz12422   Uma é que tem lugar, como já antecipáramos, neste Sábado, 18 de Maio (logo já amanhã), na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, o Concerto Final  do “Festival para Um Instrumento” com a entrega do “Prémio Caixa Geral de Depósitos” atribuído ao vencedor do “Concurso Jovens Maestros 2013”.

   Nele participa a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção musical de Azis Sadikovic (vencedor do “Concurso Jovens Maestros 2013”) e será solistas Sérgio Coelho, clarinete (“Prémio Inatel 2012”).

   Do programa constam :

         Marcos PortugalAbertura da ópera ”Il Duca di Foix” (1805)

         Wolfgang Amadeus MozartConcerto para Clarinete, KV 622 (1791)

         Joseph Haydn  – Sinfonia nº 104, “Londres” (1795)

 

 

FIMFA Lx13   A outra “NOTÍCIA EM ATRASO” é que desde esta Sexta-feira, 17 de Maio (isto é hoje) até a Domingo 9 de Junho, “A Tarumba – Teatro de Marionetas” realiza em Lisboa a 13ª edição do “Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA Lx 13”, com direcção artística de Luís Vieira e Rute Ribeiro., cujo longo programa pode ser consultado em http://fimfalx.blogspot.pt/      

   Durante vinte e quatro dias, Lisboa será de novo o grande ponto de encontro internacional do teatro de marionetas e formas animadas. Artistas de todo o mundo e de reconhecido mérito internacional foram convidados para apresentarem as últimas novidades, numa perspectiva de transversalidade artística e com uma grande diversidade de técnicas e propostas estéticas, estabelecendo ligações entre a marioneta e outros campos artísticos.STUFFE~1

   Está prevista a participação de cerca de vinte companhias e criadores, provenientes de vários países como a Alemanha, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Japão, Holanda, Irlanda, Rússia e Portugal, com mais de cinquenta representações que envolvem espectáculos de sala, de pequenas formas e de rua. Este ano será possível conhecer de uma outra forma, o trabalho de três criadores reconhecidos internacionalmente e com abordagens muito diferentes às marionetas e formas animadas,Théâtre du Rugissant Albi 2010Dans l'oeil du Judas / Albi 2010 que têm colaborado entre si : Neville Tranter – “Stuffed Puppet Theatre”, Agnès Limbos “Cie Gare Centrale” e Nicole Mossoux – “Cie Mossoux-Bonté”.

   É ainda apresentado um programa composto por novas criações, portuguesas e internacionais, quase todas estreias absolutas no nosso País.

   Diz o seu programa : “O facto de ser a 13ª edição, o ano ser 2013 e no contexto mundial de crise financeira-valores-mudanças-tecnologia motivou a direcção artística a apresentar artistas com projectos absolutamente experimentais, sombrios, inéditos, com universos muito particulares e que tocassem nos extremos das relações humanas, robótica, teatro de objectos, sombras, vídeo, dança… “.

 

 

 

   Por último chamamos a atenção para que vão encerrar neste Sábado 18, entre outras, estas exposições que os críticos relevaram como de mérito : 

   Na Fundação Carmona e Costa (Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1, 6º A e D) a exposição “A substância do tempo” a substância do tempo de Jorge Martinsde Jorge Martins, reune a maior antologia de sempre de desenhos deste autor, estando uma segunda parte exposta no Museu de Serralves, no Porto.

   Em Lisboa, a selecção associou as peças por temas. Mas, como diz a crítica L.S.O. “o pintor evita em permanência a colagem a um único tema”. E no livro sobre a exposição, Sara Antónia Matos menciona justamente “este enevoado de referências e de tempos que é, essa sim, a grande constante da obra do pintor. Mais do que a luz, mais do que a figura ou a dobra, mais do que o quadrado, o novelo, o gesto, a repetição, … é deste mergulho no tempo, deste tempo que se dobra e volta a surgir, que aqui se trata.”  

   Este vídeo reproduz algumas das obras expostas, bem como a opinião do artista sobre a sua criação.

 

helena-almeida   Também no mesmo Sábado, 18 de Maio, encerra na Fundação Leal Rios (Rua do Centro Cultural, nº 17 B) a exposição de fotografias “Transubstanciação”  da conhecida e premiada artista Helena Almeida (Prémio da 11ª Bienal de Tóquio, Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian,Prémio BESphoto e o Prémio AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte).

FLR_HA_01_2   “Desde as suas primeiras obras que a complexidade da formulação absolutamente pessoal que a artista foi encontrando para a relação que estabelece com a imagem suscita sistematicamente a mesma perplexidade: qual é o estatuto destas imagens fotográficas na relação que desenham com uma prática performativa, qual a relação com a pintura que persiste, até fisicamente, em surgir nas imagens fotográficas, qual a natureza da sua prática dupla do desenho (como esquiço e como obra) e, finalmente, que corporalidade se manifesta nesse corpo genérico que povoa os seus trabalhos …”.

   Na folha de sala conclui-se : “Talvez na equação de múltiplas entradas que é a obra de Helena Almeida e as interpretações que este gera seja necessário adicionar mais este, o de um caráter sacrificial presente na persistência e na repetição, mas também na ideia de transubstanciação – em pintura, em fotografia, em desenho, em espaço, no outro. E a dádiva do corpo que, imagem após imagem, ano após ano, se oferece ao nosso reconhecimento”. 

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   E também fecha neste Sábado, 18 de Maio, na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Av. 5 de Outubro, nº 6/8) “Sala de Exposição” de Nuno Sousa Vieira, uma exposição em dois momentos e em dois espaços (o outro é a Galeria Graça Brandão) que (segundo o crítico J.M.) “desafia o espectador a meditar sobre a circulação, a experiência e a imaterialidade do objecto artístico”.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

 

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