Pentacórdio para Terça-feira, 21 de Maio

 

por Rui Oliveira

 

 

 

   Na Terça-feira, 21 de Maio continuam a existir alguns eventos culturais interessantes, sem relevo para nenhum em especial.

 

   Na música dita “clássica”, apenas o Palácio Foz oferece na sua Sala dos Espelhos, às 18h, um Recital filipe-manzano-tordo-2de Piano de entrada livre onde o pianista Filipe Manzano Tordo irá tocar obras de Franz Schubert e Ludwig van Beethoven (ainda não nomeadas).

   Dado estes terem sido os autores escolhidos pelo pianista para o Euroclassical Online Festival 2013 transmitido em 27 de Março passado da “Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo” no Teatro Helena Sá e Costa do Porto, é fortemente provável a coincidência pelo que o programa poderá constar de :

         Franz Schubert   Sonata em Si sustenido Maior, D 960

                                       (Molto moderato/Andante sostenuto/Scherzo. Allegro vivace com delicatezza

                                        -Trio/Allegro, ma non tropo-Presto)

         Ludwig van Beethoven   Sonata No. 23 “Appassionata” op.57

                                       (Allegro assai/Andante ma com moto/Allegro ma non tropo)

   O registo integral dessa transmissão de cerca de 73 min. pode ser ouvido aqui.

 

 

   No teatro, o momento é o da 13ª edição do “Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA Lx 13” onde o espectáculo do dia ocorre às 22h desta Terça-feira, 21 de Maio 12a-FIMFA-Lx13-TMPortoSusana-Neves4(bem como na Quarta 22) no Teatro Meridional, no Beato, onde o Teatro de Marionetas do Porto apresenta “Os Três Porquinhos”, uma encenação e cenografia de João Paulo Seara Cardoso sobre textos de Stefan Harrel, Lydia Lunch, Jello Biafra e J.O.Halliwell.

   A interpretação é de Edgar Fernandes, Rui Queiroz de Matos, Sara Henriques e participação especial de John Rambo, com marionetas de Jorge Ramalho e figurinos de Manuela Pedro.

   O espectáculo de 45 minutos é em inglês com legendagem em português.

   A Companhia apresenta-o assim :

14-FIMFA-Lx13-TMPortoSusana-Neves4   «Os três porquinhos e o malvado lobo embalaram na vertigem do tempo e chegaram até nós, habitantes da aldeia global. Onde estão, como sobrevivem, como se adaptaram os nossos porcos metafóricos aos tempos pós-modernistas?

   Nesta história interminável de grandes e pequenos, de fortes e fracos, de predadores e vítimas, ficam sempre sem resposta as questões fundamentais: quem come quem, quem é comido? Qual é a moral da história? A moral da história não é o mais importante. O importante não é quem come quem, o importante mesmo é não nos deixarmos ser comidos.

Porque a vida é bela e o céu é azul.»

   O vídeo abaixo dá uma ideia adequada do carácter hilariante da peça e do nível de transgressão que vai aumentando em flecha até atingir momentos delirantes…

 

 

capa   No cinema extra-circuitos prossegue no Auditório do Instituto Cervantes o Ciclo de “Homenagem a Carlos Saura” em que o filme a ser exibido nesta Terça-feira, 21 de Maio, às 18h30, é “Fados” (Espanha, 2007) com que o realizador espanhol concluiu a sua trilogia sobre a canção urbana moderna.

   Depois de Flamenco (1995) e Tango (1998)(este nomeado para o Óscar como “melhor filme estrangeiro”), Carlos Saura, após mais de dois anos de investigação sobre o Fado, dá um salto importante na sua aproximação ao musical, pois se nos musicais anteriores se apoiava em dança, em Fados reflecte (diz o programa) “o nascimento da música dos subúrbios, portuária, (como) uma síntese de todas as músicas nascidas nos finais do século XIX”.

   É sabido que o realizador ouviu e gravou trechos de muitos dos mais conhecidos intérpretes do fado como, p.ex., Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Camané, Mariza, Ana Sofia Varela, e ainda Lura, Argentina Santos, Chico Buarque e Caetano Veloso.

   O leitor pode confirmá-lo vendo aqui o filme (agradecendo a amabilidade ao YouTube) :

 

 

LAS_ED~1   Das estreias na Cinemateca (filmes nunca ali exibidos) salienta-se nesta Terça-feira, 21 de Maio, às 21h30 na Sala Dr. Félix Ribeiro, “Las Edades de Lulu” (As Idades de Lulu), (Espanha, 1990) de Bigas Lunas, com Francesca Neri, Oscard Ladoire, Maria Barranco, Pilar Bardem e Francisco Guillén Cuervo nos papéis principais.

 as-idades-de-lulu-2  «Uma da mais excessivas obras de Bigas Luna, acompanha o percurso de uma mulher (Francesca Neri) que, depois de experiências sexuais mais ousadas, reencontra o amor do marido. Uma viagem por uma Madrid liberta de constrangimentos, baseada num romance erótico de Almudena Grades, que é corresponsável pelo argumento do filme» – assim o descreva o programa da Cinemateca.

   Esta é uma sua curta cena (a banda sonora original com algumas imagens pode ser ouvida aqui  http://youtu.be/RTrt28JB1d8  ) :

 

 

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   Por último, como conferências/debate, há na Sala Principal do Maria Matos Teatro Municipal, nesta Terça-feira, 21 de Maio, às 18h30, uma palestra (de entrada livre, sujeita à lotação da sala) proferida por Carolyn Steel, “uma pensadora de vanguarda no que toca a comida e cidades” (como a descreve o MM) sob o título “Sitopia – The Transformative Power of Food”, dentro do ciclo de conferências “transição”.

   Diz C.S. : « Vivemos num mundo moldado pela comida. Ela influencia a nossa sobrevivência, as nossas rotinas diárias, a nossa política e a nossa economia e, ainda assim, consideramos a comida uma mercadoria como outra qualquer. O nosso profundo desapego à comida é o legado curioso da industrialização e um sintoma de um modo de vida que já não é sustentável. No entanto, a comida não é apenas um poderoso modelador das nossas vidas, pode também ser aproveitada como ferramenta.

   O termo sitopia (lugar da comida) descreve esta abordagem. A sitopia pode ajudar-nos a pensar como e onde construir cidades, como nos alimentarmos e vivermos nelas e como adaptar as existentes de modo a torná-las mais sustentáveis ».

 

 

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   Também no Institut Français de Portugal, nesta Terça-feira, 21 de Maio, decorre das 9h30 às 18h o Colóquio “O Exilio e o Reino: de Albert Camus a Vergílio Ferreira”, uma organização conjunta do Instituto de Filosofia e do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (da Faculdade de Letras da Universidade do Porto), da APEF – Associação Portuguesa de Estudos Franceses e do Institut Français du Portugal.

   É apresentado desta forma : «Albert Camus nasceu a 7 de novembro de 1913. Faz agora 100 anos. Vergílio Ferreira nasceu um pouco mais tarde, a 28 de janeiro de 1916. O suficiente para ir lendo Albert Camus e por ele ter sido influenciado. Em 1943, faz agora 70 anos, Vergílio Ferreira nasce como escritor ao publicar “O Caminho Fica Longe”.

   Nem sempre escolhemos as nossas leituras, mas sempre escolhemos as nossas influências. Albert Camus e Vergílio Ferreira escolheram viver no fio da navalha, na linha das fronteiras: as que unem a filosofia e a literatura, a solidão e a solidariedade, a revolta e o fatalismo histórico, entre o exílio do reino e o reino do exílio. É bom ouvi-los e falar deles, num tempo em que nos dizem não haver alternativas».

   A entrada é livre e o programa completa pode ser consultado aqui.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui)

 

 

 

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