IMATGE FALSA
És sols or fals allò que em fa el ulls d’or;
sóc esfinx sens misteri en el ponent.
La tristesa de tot el que no fou
en la meva ànima cau veladament.
Al meu dolor s’hi esberlen coltells d’ànsia,
rebrots de llum amb tenebra es mixturen.
Les ombres que propago no perduren,
com l’Ahir, m’és l’Avui només distància.
Ja no tremolo davant del secret;
res no m’exalça ja, res no m’aterra:
la vida em passa pel damunt en guerra,
sense ni el més petit estremiment!
Sóc l’estel ebri del cel desviat,
sirena folla que fugí del mar,
sóc temple sense déu que prest caurà,
imatge falsa encara al pedestal.
Estátua falsa
Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha’alma desceu veladamente.
Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distância.
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!
Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar…
(da obra “Indícios de Oiro”, publicada postumamente em 1937 pela Presença)


Ontem, passou mais um aniversário do nascimento (19 de Maio de 1890) de Mário de Sá Carneiro.
Triste e belo. E que estranhamente perto do garavancinho desta semana…
Parabéns ao Josep Anton Vidal! Mário de Sá-Carneiro é, desde os meus 15 anos, um dos meus poetas de eleição, que (como ele próprio previu – “Daqui vinte anos a minha literatura talvez se entenda”) levou bastante tempo a ser reconhecido, fora de um círculo restrito de apreciadores. Ainda cheguei a pôr o olho num “tratado de versificação” de um ilustre catedrático (infelizmente não consegui obter um exemplar da obra, que era um precioso hino à imbecilidade “encatedrada”…) em que um poema de MSC era incluído como um exemplo de má poesia, a que o autor contrapunha uma “harmoniosa” criação sua! A tradução é – na modesta opinião de quem entende catalão mas não o domina – muito boa, com problemas de equivalência de palavras e métrica muito bem resolvidos! Um grande abraço.
Gràcies pel comentari, tan amable. M’alegra saber que la “traïció” de la traducció no és suficient per esborrar la predilecció pels versos de Sá-Carneiro. És un poema “trist i bell”, certament, d’aquells que, en llegir-los, desperten veus i ecos en alguna part profunda d’un mateix.