REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

banquete - I

NO ÚLTIMO BANQUETE DOS BANQUEIROS

 Antes da crise de confiança

Michel Lhomme

Vamos ao essencial. Os políticos estão a divertir-se com a calma aparente nos mercados financeiros e alegram-se ao ver todo os dias o mergulho do mercado de acções nas bolsas . No entanto, eles sabem. Eles sabem que, desde Outubro de 2012, se decidiu andar a brincar com o fogo.

De Outubro de 2012? Esta é a data em que os bancos centrais, tomados de surpresa, de uma crise que se arrasta, decidiu deixar correr a moeda para apoiar a economia. A operação foi relativamente ocultada. No entanto, é a maior transacção monetária de todos os tempos: uma fabricação de moeda decidida por todos os bancos centrais da zona euro, pelo FED e mesmo pelo Japão, pelo banco da Inglaterra igualmente ,embora este a tenha feito mais timidamente. A operação foi descrita por banqueiros como sendo uma para operação “não convencional”.

banquete - II

Assim, injectou-se centenas de milhares de milhões de dólares, libras euros, Yens, num sistema monetário global laminado para ter o dinheiro líquido, ou seja, para permitir o financiamento da dívida dos Estados e ajudar o investimento das empresas sem fôlego.

Uma pausa artificial

Assim, desde há seis meses, os mercados globais têm respirado mas de maneira totalmente artificial. Os bancos centrais compraram títulos pura e simplesmente questionáveis, de dívidas do Estado, uma história que resulta do facto de se ter posto a rotativa a funcionar para a casa da Moeda. É mais ou menos o último banquete dos banqueiros antes da previsível bancarrota: os bancos estão a comprar créditos que ninguém quer – a dívida dos Estados do Sul, e irão ver, desde Abril, a dívida da França em troca de mais moeda fiduciária emitida pelos bancos centrais. O BCE, em Frankfurt fabrica assim, pura e simplesmente. a moeda que actualmente aterra actualmente nas contas dos bancos privados.

 banquete - IIIbanquete - IV

Mario Draghi, o exemplo cipriota         
 
 

No entanto, uma vez que agora são já passados seis meses que a “operação Mario Draghi” foi lançada, a economia não se reanima. A aposta poderia ter sido compensadora se a operação permitisse uma recuperação imediata da economia pelo investimento, mas o dinheiro não é usado para isso. É utilizado para pagar a dívida dos Estados e, assim, para enriquecer alguns financeiros. Esta política de monetarização não convencional anteriormente foi já testada no Japão há uns dez anos. A dívida pública é neste país superior a 200% do PIB e a economia como um todo está em recessão. Fabricar moeda é um sonho de aprendiz de feiticeiro, um sonho do alquimista louco, não do economista sério . Esta produção artificial da moeda paralisa os países emergentes. Um país como o Brasil, que ainda poderia puxar o seu crescimento para uma mais alta taxa de crescimento vê a cotação do real ao seu valor mais alto, o que faz descer as suas exportações enquanto ele poderia ser uma locomotiva para a América do Sul.

Uma hiper-inflacção que ameaça

Na Europa, para além dos bancos, esta “sobre-produção” de moeda não enriquece ninguém excepto o mundo virtual da finança. Ora, a bolha, mesmo a financeira, ainda obedece ao princípio de toda a física : ela vai estourar um dia! À força de criação da moeda de macaco e especialmente para a acumular nos seus livros de contas de títulos podres, os bancos centrais vão-se tornar as Ghost House, casas feitas em puro papel. E esta será a lei de hiperinflação económica a menos que a economia deixe de ser uma ciência.

banquete - V Vers l’hyperinflation ?

O sistema económico global ter-se-ia já afundado desde há muito tempo e se ele se mantém ainda de pé é porque a economia também ela assenta num factor irracional de confiança, um princípio duvidoso de credibilidade, mas este é o dos banqueiros centrais. No entanto, a credibilidade dos bancos centrais acaba de dar alguns sinais de preocupação. Quando a confiança neles desaparecer , será necessário ir à pressa para os cidadãos retirarem o seu dinheiro dos bancos, comprar todo o tipo de bens, comprar pedra, propriedades, produtos disponíveis. O dinheiro metidos nos cofres transformar-se como o chocolate: derrete-se…

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