EDITORIAL – «ISTO NÃO TEM CONSERTO»

Imagem2As notícias da actualidade   continuam a não ser muito motivadoras. Por exemplo, no ranking de competitividade hoje publicado,   Portugal é o penúltimo da União Europeia. Pior só  a Grécia. Mas há sempre uma maneira optimista de dar uma má  notícia – um órgão de informação diz assim em título «Portugal é mais competitivo   do que a Grécia»… Dentro da mesma lógica do «é mau, mas há pior», informa-se que a qualidade das nossas águas balneares piora, mas mantém-se   acima da média europeia. O acordo de compra e venda da seguradora do antigo   BPN foi assinado ontem à tarde. «Os dossiês do antigo BPN parecem finalmente   ter entrado num ritmo cadenciado de resolução». Já não era sem tempo. E fala-se de futebol… 

 A crescente futebolização da política e a promiscuidade entre os obscuros negócios do futebol agravam-se á medida em que o acesso de gente incapaz vai invadindo os partidos. Como é possível que um responsável do partido que está no governo se permita, mesmo sem intenção de ofender como ele assevera, brincar com adversários, ofendendo marroquinos, tunisinos e argelinos ao usar a expressão «magrebinos» com sentido pejorativo. Mesmo acreditando que foi uma brincadeira, uma picardia, é de mau gosto usar etnias ou nacionalidades como armas de arremesso. Já basta a animalidade das claques. O homem pediu desculpa e reconheceu que tinha sido uma brincadeira estúpida. Ao reconhecer a estupidez do acto, deu uma prova de inteligência.

Interessantes as declarações do pai de Passos Coelho. O médico António Passos Coelho pede inclusive para o filho abandonar o poder…E faz um diagnóstico correcto: «Isto não tem conserto. Há muitos anos, não é de agora».

 

2 Comments

  1. Sou menos benevolente. O sujeito, cuja imbecilidade militante é evidente para quem já teve o azar de tropeçar numa das suas intervenções televisivas, pode ser espertalhoco, mas o que é impossível relevar-lhe é o racismo larvar que, mal o fanatismo clubístico lhe baixou a guarda, logo emergiu em todo o seu repelente esplendor. O “sucesso” que, segundo li hoje, obteve com um blogue que terá criado, pela “qualidade da escrita”, apenas traduz a generalizada mediocridade intelectual vigente (em especial em órgãos de comunicação – onde muito mal se fala ou escreve – que se apressam a convidar esses “génios” para cronistas e comentadores)… Não é possível confundir o apodo de “magrebino”, de disseminação assaz recente, com o tradicional “mouro”, com que o pessoal do Norte se diverte a designar o do Sul e que resulta de uma já consagrada referência às históricas invasões islâmicas, coisa que dá para eu e os meu amigos daquelas paragens (e até simpatias clubísticas locais, coisa que já não consumo há décadas) brincarmos amenamente. O facto de a criatura ser professor universitário só prova que essa condição não dá a mínima garantia de posse de um nível intelectual minimamente aceitável (inconfundível – já o disse, creio – com a mera acumulação de conhecimentos de uma área específica, que não passa de “erudição” estéril): leia-se, para confirmação, o caricatural João César das Neves, sem esquecer o célebre “analista” americano que decretou “o fim da História”, ou o paranóico Gaspar e os seus mentores americanos, cujo “estudo” já totalmente desacreditado insistiu em apresentar, na edição portuguesa, tão recentemente.

    1. Nunca tinha ouvido falar na criatura. O seu arrependimento deve ser tão genuíno quanto o de Sousa Tavares por ter elogiado Cavaco Silva. De qualquer dos modos, um dirigente político, com responsabilidades no partido do governo, alinhar em picardias claqueiras, é um sinal do estado de degradação a que as coisas estão a chegar. Além de que o pressuposto em que assenta esse insulto nortista – o da superioridade goda sobre os mouros – é uma parvoíce. Os mouros, que não se misturaram sigficativamente com a comunidade cristã, eram muito mais civilizados. Mais civilizados do que os cristãos e muito mais civilizdos e tolerantes do que os islamitas actuais. Por detrás da imbecilidade das claques, há frustrações, manobras políticas, jogos de poder e negócios inconfessáveis. Todos o sabemos.

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