Hoje, como sempre, a Europa continental é um tigre de papel!
Há 179 anos, no dia 26 de Maio de 1834, em Évora-Monte, foi assinada a rendição incondicional do exército absolutista que, sob o comando do usurpador Miguel de Bragança, em 1828, tinha reinstalado no País um regime político despótico. Assim, terminou a Guerra civil entre liberais e absolutistas que durante dois anos, de 32 a 34, abalou o País e, sabe-se, deixou muitos agravos e ressentimentos que precisaram de muitíssimos anos para que, mesmo sem terem sido extintos, perdessem a profunda animosidade que sempre transportaram.
A derrota militar das correntes políticas que, em Portugal, contrariavam a instalação da Democracia, na sua modalidade de Monarquia Constitucional foi, de facto, um momento histórico digno do maior registo tanto mais que – isso tem sido esquecido – foi, também, uma derrota muito significativa, causada pelos liberais portugueses, ao despotismo da Santa Aliança de 1815, nada mais que uma coligação declaradamente contrária à Democracia que foi proposta pela imperador da Rússia e logo aceite pelos seus homónimos da Prússia e da Áustria. Por seu intermédio – sobretudo por intermédio do seu poder militar – pretendiam comandar, de ora em diante, os destinos políticos de toda a Europa.
Mesmo que nos dias de hoje tudo pareça apresentar-se duma maneira diferente e que as declarações das actuais eminências europeias sigam todas no sentido formal da exaltação da Democracia, a chamada União Europeia (UE), em que sobressai a mão expansionista do velho revanchismo germânico, à semelhança do passado político imposto pela Santa Aliança, reserva-se o direito de poder comandar o destino económico e político de muitos dos Estados europeus e o nosso – salta à vista – de sobremaneira.
No século XIX, aquela Europa absolutista reunida no Congresso de Viena de 1814 – 1815, e, depois, ainda em 1815, congregada na Santa Aliança, haveria de alargar-se, à França, a Espanha e a Portugal – a Inglaterra recusou-se – e nessa conformidade exibia força bastante para impedir qualquer fuga à sua autoridade, toda colocada entronização perpetua do absolutismo dos Monarcas.
Nessa época, toda a doutrina política da Santa Aliança afirmava-se como praticada em nome dos “ preceitos da Justiça, da Caridade Cristã e da Paz” e, também – quanto pode a hipocrisia – por força das “elevadas verdades presentes na doutrina do Nosso Salvador”. De verdade, na sua essência política, essas afirmações e cristianíssimas só queriam dizer que a Santa Aliança tinha de ser considerada como a autoridade última na condução da política dos europeus, europeus que teriam de ter em mente que o seu inimigo era o liberalismo e que a sua conduta política teria de ser a do absolutismo, um regime – afirmava-se – impossível de ser destruído em qualquer dos Estados coligados.
Se a História pode dar alguma ajuda – e pode – importa recordar que em plena ditadura da Santa Aliança, em 1820, por uma soma de razões em que pode destacar-se a ingerência autoritária, absoluta, continuada e odiada do exército inglês, aquele poder da Santa Aliança não foi bastante para impedir que, em Portugal, na cidade do Porto, no dia 24 de Agosto, começasse uma revolta militar muito bem sucedida e que, em Lisboa, em 15 de Setembro, teve a sua continuidade pela mão de oficiais subalternos do Exercito.
Na consequência do levantamento nacional, em 28 de Setembro desse 1820, já foi possível que as Juntas do Porto e de Lisboa fundassem a “Junta Provisional do Supremo Governo do Reino” a qual, mau grado, algumas contrariedades sobrevenientes, de passo em passo, em 23 de Setembro de 1822, haveria de dar como pronta a primeira Constituição portuguesa, uma obra dos constituintes eleitos em.25 de Dezembro de 1820
Mesmo que a Inglaterra fosse hostil aos avanços dos impérios coligados para, assim, poder prosseguir com a submissão imposta a Portugal, a verdade é que a força e a determinação política dos liberais portugueses – não esquecer a doutrinação do Sinédrio – não só não receou contrariar o poderio da Santa Aliança como, isso é notável, não hesitou em desencadear uma Revolução que soube por em causa toda a prepotência tanto dos Impérios continentais coligados como, também, da regência portuguesa submissa a Beresford.
O exemplo histórico deixado pelos vintistas bem merece ser realçado quando, nos dias que correm, uma coligação como a União Europeia, afinal um autentico IV Reich, tudo tem feito para submeter a generalidade dos Estados Europeus à sua cobiça económica e política, tudo feito, facto desesperante, sem uma oposição portuguesa digna desse nome inclusive, quantas vezes, vista a alardear um manifesto espírito de colaboracionismo.
Lisboa, 26 de Maio de 2013
