CARTA DE BRUGES – por Fernando Correia da Silva

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Foi de Bruges que, em 1427, o Infante D. Pedro (filho d’El-Rei D. João I) escreveu a D. Duarte, seu irmão e o homem que no mundo mais amava, a carta que ficou famosa. Porquê famosa? Porque é um verdadeiro breviário político no qual recomenda a aliança entre o poder e a sabedoria. Exige, explicitamente, que príncipe e sabedor sejam uma só cousa. De forma agreste critica a falta de cultura da administração do Estado português. Situação tanto mais grave quanto é certo ser a cultura a luz da razão que orienta e ilumina o homem. É a cultura que lhe traça um horizonte de felicidade, na qual o poder é um meio e não um fim. D. Pedro frisa que mais fortes são as nações que se impõem pela cultura e prestígio dos seus colégios e universidades e aponta como modelo as de Paris e Oxford. Também demonstra ter ideias muito claras sobre política financeira e social, eclesiástica, militar e judicial. Exige que se calem os interesses privados quando está em jogo o bem geral do país.

Mas uma coisa é opinar como exercer o poder, outra será exercê-lo entre o ontem que perdura e o amanhã que tarda, vacilações…

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