Pentacórdios para Terça 11 e Quarta 12 de Junho

por Rui Oliveira

 

 

   Retomamos os Pentacórdios de antevisão do panorama cultural lisboeta dos próximos dias, após uma interrupção indesejada de um dia, debruçando-nos sobre o parco mostruário desta Terça e Quarta.

 

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pessoa_logo_tranparent_01   Na Terça-feira, 11 de Junho inicia-se o “Festival do Desassossego” na Casa Fernando Pessoa, fruto da relação intensa que a mesma tem procurado desenvolver com a literatura e a arte do Brasil, pois (como afirmam) “a ligação estreita entre Portugal e o Brasil é essencial para a afirmação da Língua e da Cultura de expressão portuguesa no mundo, e essa afirmação é fulcral para o sucesso económico, social, cultural e político de ambos os países”.

   Assim, em parceria com a Embaixada do Brasil, é inaugurado em 2013 um encontro de poesia luso-brasileira, acompanhada por outras linguagens – vídeo, música e artes plásticas. Este programa de “Festa da Poesia Luso-Brasileira” engloba nesta Terça-feira, 11 (com entrada livre no limite dos lugares disponíveis) :

   16h – Exibição do filme “Pessoa, Pessoas Brasil”

   17h – Sessão inaugural de boas-vindas. Leituras de Portugal e do Brasil, poemas lidos por: Antonio Cicero, Gastão Cruz, Golgona Anghel, Maria do Rosário Pedreira, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice.  

   19h – Varandas do Desassossego

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   Nos restantes dias da “Festa da Poesia Luso-Brasileira” haverá na Quarta-feira, 12 :

   16h – Exibição do filme “Drummond” do Instituto Moreira Salles

   17h – Apresentação do livro Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz: correspondência amorosa completa 1919 – 1935”   

Nota: O filme de João Botelho “Oh, Lisboa, meu Lar!” é anunciado pela Agenda CML como sendo projectado igualmente a esta hora (a confirmar).

   18h –  Debate: A prosa de Portugal e do Brasil na voz de quem a escreve (moderação de Maria Manuel Viana): Amílcar Bettega, Jacinto Lucas Pires, João Gabriel de Lima, José Luís Peixoto e Teolinda Gersão.

 

   Já na Quinta-feira, 13 ocorrerá :

   14h30 – Exibição do filme “Um serão com Caetano”

   16h – Debate: Literatura e jornalismo, amantes da travessia (moderação de Patrícia Reis): Bia Corrêa do Lago, Rui Zink, João Gabriel de Lima e José Carlos de Vasconcelos.

   18h – Debate: Há uma poesia de língua portuguesa? (moderação de Inês Pedrosa): Antonio Cicero, Fernando Pinto do Amaral, Nuno Júdice e Teresa Rita Lopes.

   21h30 – Concerto de Jorge Palma.

 

 

 

Fatima AlQadiri   Na música, vem à Galeria Zé dos Bois (ZDB) Fatima Al Qadiri, artista originária do Senegal, criada no Kuwait e actualmente a residir em Nova Iorque, que além de compor em nome próprio «cria também mantras fractais assentes em loops de voz» enquanto Ayshay. Segundo a ZDB, « a noção de futuro na música electrónica tem vindo a ser cada vez mais difícil de situar num qualquer continuum evolutivo estreito» e essa descontinuidade verifica-se no trabalho desta artista «porque ela esbate distâncias temporais e espaciais, numa música onde uma infância na sua terra natal colada ao comando de uma Mega Drive se alinha com vivências cosmopolitas e o abandono virtual pós-Second Life, num mesmo plano … Com esta visão singular perfeitamente delineada, Fatima explora também toda esta imagética inerente em algo mais concreto através de vídeos onde alienação e hedonismo se confundem num fluxo de Computer-generated imagery, imagens manipuladas e pedaços disformes de realidade, além do seu próprio site oficial onde é reproduzido o ambiente de trabalho de um Mac.».

   Veja-se (e ouça-se) este D-medley cujos riffs se inspiram vagamente no movimento Tropicália do Brasil :

 

   Anteriormente, no palco da ZDB, estará DJ Marfox, «patrão incontornável nas mais fascinantes explorações do kuduro e conhecido pelo ritmo frenético e incansável que deposita em cada actuação».

 

 

retrospectiva

   E por falarmos da ZDB, lembremos que no vizinho NEGÓCIO (Rua de O Século, nº 9 porta 5) decorre de 5 a 15 de Junho (mas apenas de Quarta a Sábado), às 21.30,Retrospectiva-Foto-Mariana-Silva1 Uma Retrospectiva”, que é uma exposição/performance onde Mariana Tengner Barros (performer e coreógrafa de 30 anos) e Raquel Castro (actriz de 31 anos) apresentam a sua primeira criação colectiva com a colaboração de Mariana Silva, Ana Bigotte Vieira, António Mv, Noni Blanquer, entre outros.

   Diz o programa que «unidas por uma necessidade de resistência contra o desencantamento fulminante, Mariana e Raquel assumem-se Wannabes™, dão o corpo ao manifesto, minam a cidade, lançam os foguetes e apanham as canas».

   Dos múltiplos vídeos existentes no YouTube, eis um :

 

 

 

   Entretanto, na Terça-feira, 11 de Junho, e para os amadores de locubrações filosofantes, decorrecafe%20philo%20juin mais um dos “Café Philo” no Institut Français de Portugal (na Avenida Luís Bívar, nº 91), o debate colectivo em francês, sobre questões filosóficas e problemáticas da sociedade contemporânea que tem lugar na Cafetaria do IFP, cada segunda Terça-feira do mês, das 19h00 às 20h30, com entrada livre.

   Animado, como habitualmente, por Omar Belhassaïn, professor de Filosofia no Liceu francês Charles Lepierre, este tentará responder à questão “Faut-il s’efforcer ou renoncer à donner un sens à l’existence?” (que traduziríamos livremente por “Deveremos nós esforçar-nos por dar um sentido à nossa existência ou podemos renunciar a tal?”).

 

 

 

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   Por fim neste dia, estará aberta ao público, na Sala de Referência da Biblioteca Nacional, com entrada livre até 30 de Agosto, a exposição “Aquele Único Exemplo – 450 Anos da Lírica de Camões”images onde se mostram dois exemplares do livro “Colóquios dos Simples e das Drogas”, de Garcia de Orta – o da Biblioteca de Évora, onde surge uma versão inédita do poema de Camões “Aquele único exemplo …”, o primeiro poema do poeta impresso hoje conhecido, e o da Biblioteca Nacional, onde figura a versão já há muito conhecida.camoes_r-480

   É uma «Ode ao Conde de Redondo», pedindo a protecção para um livro de um amigo, que integra o conjunto de paratextos dos Coloquios de Garcia de Orta e que foi impresso em Goa, em 1563, por Ioannes de Endem, um impressor alemão que havia pouco tempo instalara o seu prelo na Índia portuguesa.

   Há diferenças entre aquela primeira versão impressa (mas que esteve afastada do conhecimento comum até à segunda metade do século XIX) e a forma até hoje divulgada mas copiada de uma versão manuscrita que se afastava, em alguns versos, da versão original. Sobre toda esta problemática será abordada num colóquio já convocado para a primeira quinzena de Julho, também na Biblioteca Nacional.

 

 

 

   Quanto a Quarta-feira, 12 de Junho, no campo musical apenas relevaríamos um concerto que terá lugar no Cinema São Jorge, às 9h30, no âmbito da Conferência Iberoamericana sobre “Sociedade, Cultura & Cooperação : Centralidades e Periferias”, onde actuará um Quarteto de Clarinetes composto por Bruno Grácio, Daniela Rodrigues, Diana Santos e Hugo Mendes, todos instrumentistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa, que interpretarão de :

        Astor PiazzollaOblivión

        Johannes Brahms Dança Húngara n.º 5

        Robert SchumannTräumerei (Sonhando, 7.ª peça das “Cenas da Infância”, Op. 15)

        Erroll Garner Misty

        Vittorio MontiCzardas

    Não havendo obviamente registo destas interpretações, deixamos-lhe um excerto do Oblivion” de Piazolla por um quarteto de clarinetes de Jeremy Eig :

  

 

 

 

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   Por último, lembraremos para estes dois dias e em apoio à campanha de defesa da sobrevivência em actividade plena da Cinemateca Nacional hoje em aperto financeiro, os “conselhos” de visionamento desta instituição que exibe , em especial, na Terça-feira, 11 de Junho, às 15h30 na Sala Dr. Félix Ribeiro, o filme “Some like it Hot” (Quanto mais quente melhor) (Estados Unidos, 1959) de Billy Wilder, com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis, Joe E. Brown, George Raft, entre outros ;

   e às 21h30, na mesma Sala, a longa metragem “Faust” (Fausto) (Alemanha, 1926) de Friedrich W. Murnau, com Gösta Ekman, Emil Jannings, Camilla Horn, William Dieterle, Werner Fuetterer, entre outros (filme mudo, com intertítulos em alemão, traduzidos em inglês).

   Já na Quarta-feira, 12 de Junho, o filme “aconselhado” é na Sala Luís de Pina, às 19h30, “Les Diaboliques” (As Diabólicas) (França, 1955)les-diaboliques1 de Henri-Georges Clouzot, com Simone Signoret, Vera Clouzot, Paul Meurisse e Charles Vanel nos principais papéis.

   Por este último ser menos conhecido, mostramos-lhe o filme-annonce. Trata-se da história de Christina, uma professora que leva uma vida infeliz junto dum marido tirânico, Michel Delasalle, director do pensionato onde ela trabalha. Se bem que saiba que ele tem uma amante, Nicole Horner, ambas aproximam-se pois Christina vê em Nicole uma companheira de infortúnio que partilha o seu ódio a Michel  e quando esta lhe pede que a ajude a matar Michel, Christina aceita mas … 

 

   Se o leitor quiser conhecer a longa cena final da “morte” na banheira, clique aqui .

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui)

 

 

 

 

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