O CUSTO DE NADA FAZER – 1 – por Júlio Marques Mota

Despeço-me do motorista de táxi a quem ofereço o texto. O Custo de nada fazer, levo a minha neta ao piano e ao canto. À noite tem a sua festa da Escola.

Um festa espantosa, mais de umahora e meia de espectáculo, de teatro musicado e de canto, muita música mesmo. Espantoso, movimentar e manter activos e a fazer e a serem arte durante tanto tempo mais de 70 alunos em palco. Curiosamente, representou-se ummusical, sobre Viriato, sobre a traição feita a Viriato. A saída do espectáculouma antiga deputada pelo PS diz-me que o ministro em vez de andara fazer o que anda a fazer, a dar cabo do que resta de um ensino público de qualidade,deveria estar alia assistir aquele verdadeiramente grandioso espectáculo feito porcrianças entre os 9 e os 11 anos. Respondi-lhe, que o governo actual vivia fechado cheio de medo e exactamente a proteger-se do medo que ele próprio instala de forma terrível em toda a população portuguesa e, portanto, fica em casa a pensar na próxima maldade a executar para do povo se poder resguardar.

Nesse momento, lembrei-me que se estava a falar de traição sobre terras lusitanas, lembrei-me que estas mesmas terras estão hoje sob uma gigantesca traição, por maldade pura, por ganância, ou por ignorância, traição desencadeada a partir de Bruxelas, os mandantes, enquanto os mandatados dessa traição ao povo português, às suas terras, ao seu passado, a este país vendido em saldo, ao seu futuro, destruindo camadas e camadas de jovens que no futuro de tão destruídos nada poderão vir a ser,os mandatados, esses, tem como coordenador o presidenteda República, por influência do economista ignorante que dá pelo nome de Aníbal Cavaco Silva, e como seus auxiliares Passos Coelho e Gaspar.E ironia das ironias, estes jovens estavam, sem o saber,a cantar o fim destetipo deescola de qualidade, a Martim de Freitas, porque com as políticas impostas a partir de Bruxelas e amadas por aqueles que cinicamente as aplicam aqui,este tipo de escola e este tipo de dedicação dos professores estão lentamente a ser assassinadas, como Viriato, exactamente, na noite escura, agora fruto da manipulação e da traição política. Um sistema educacional, com todas as suas escolas, com todos os seus alunos, com todos os seus professores, está pois a ser assassinadopor um ministro da Educação, outrora de esquerda eda UDP salvo erro, assassinado por um primeiro-ministro Passos Coelho, formado numa Universidade de tempos livres, mas com a sabedoria suficiente para reformular o Estado em tempos de crise (!), assassinado por um Governo que pós 25 de Abril de 2013 é o governo do presidente da República, de acordo com as suas próprias declarações. Na peça que os meninos representavam, os romanos dizem não pagar a traidores, ironia, como o Império Goldman Sachs a que pertencem MarioDraghi, do BCE, Mário Monti, co-autor do golpe de Estado palaciano em Roma, Lucas Papadémos, co-autor de um golpe de Estado palaciano em Atenas,entre tantos outros do mesmo calibre, não pagarão depois aos servidores, aos que emanam as ordens a partir de Bruxelas e de Frankfurte aos que depois as executam, e que estão a destruir rapidamente Portugal como outros países igualmente.

E tudo isto em Portugal é feito, não por ganância certamente, mas sim por ignorância,seguramente isso,a que se pode somar uma forte dose de maldade, igualmente.

Dizê-lo hoje que sobretudo se trata de ignorância ao nível dos nossos dirigentes étarefa fácil e para isso apoiemos em duas autoridades,uma em economia portuguesa, João Ferreira do Amaral, ea outra,o mais importante decisor do mundo em política monetária, Bernankee.

Diz-nos João Ferreira do Amaral (Porque Devemos Sair do Euro, Lua de Papel, 2013, p. 106):

Lamento dizer que fiquei desde essa altura com uma péssima impressão das nossas elite, impressão que felizmente tarda a desvanecer-se. O espesso manto de iliteracia económica que as afecta (mesmo de muitos supostos economistas), a suficiência bacoca e a total ausência de espírito crítico que as caracterizafazem certamente de Portugalum dos países da Europa com piores elites.

E continua (idem, p.118):

[A argumentação]é obviamente pouco inteligente e revela uma incapacidadede análise crítica confrangedora, própria (…)das nossas elites. (…)
Mas quando as questões monetárias entram no domínio religioso, é impossível debater as coisas de forma minimamente racional. Por isso, é confrangedora a incapacidade destes dogmáticosdo euro para reflectirem sobre o desastre: não o da nossa saídacomo costumam ameaçar, mas daquele que resultaráda nossa permanência na moeda única.

De ignorância falámos pela mão de João Ferreira do Amaral, de ignorância falamos agora pela mão de Bernankee (Ben S. Bernanke, na BaccalaureateCeremony na Universidade de Princeton, 2 Junho de 2013com o titulo TheTenSuggestions, disponível em http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/)

O conceito de sucessoleva-mea centrar-me nachamada meritocracia e nas suas implicações. Fomos ensinados a que as instituições meritocráticas e as sociedades são justas. Pondo de lado a realidade que nenhum sistema, incluindo o nosso, é na realidade totalmente meritocrático, a meritocracia pode ser mais justa e mais eficiente do que algumas alternativas. Mas justo no sentido absoluto? Pense nisso. A meritocracia é um sistema em que as pessoas que são mais afortunadas em termos da sua

saúde e dedotação genética; mais afortunadasem termos de apoiosfamiliares, em termos de incentivos e, provavelmente,em termos de rendimento; mais afortunadas nassuas oportunidades de educação e de carreira; e mais afortunadasem tantas outras formas difíceis de enumerar são tambémas pessoas que alcançam os maiores rendimentos.A única maneira para que mesmo a putativa meritocracia esperepassar a avaliação em termos de ética, para ser considerada justa, é se aqueles que foram maisa fortunados em todos esses aspectos também tem a maior responsabilidade a trabalhar duramente ou contribuem claramente para a melhoria do mundo e partilhama sua sorte com os outros. Como diz o Evangelho de Lucas (e tenho certeza de que meu rabino vai perdoar-me por citar o Novo Testamento poruma boa causa): “atodos aqueles a quem muito foi dado, muito será exigido; e daquele a quem muito foi confiado, mais será exigido” (Lucas 12:48, nova Bíblia).Um tipo que já está na curva descendente, é o que de mim poderão dizer.

(Continua)

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