Pentacórdio para Domingo, 16 de Junho

por Rui Oliveira

 

   Porque os eventos culturais do dia quase só se resumem as Festas de Lsboa 2013 que já temos noticiado, iniciemos este Pentacórdio lembrando COM ATRASO que encerram este fim-de-semana duas ou três exposições que a crítica da especialidade tem apreciado valorativamente.

  

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   Uma, exposta na Galeria Appleton Square (Rua Acácio de Paiva, nº 27 r/c, a Alvalade), intitula-se “Les Apaches” e é da responsabilidade do artista Vasco Barata (foto), encerrando neste Sábado 15 de Junho.vasco barata

   Nela o artista apresenta um conjunto de obras de natureza heteróclita produzidas entre 2012 e 2013, tendo como ponto de partida o resultado de uma residência artística realizada em Guimarães (no âmbito da Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012), além do filme “Os Nossos Ossos: Ariadne” que é agora apresentado, pela primeira vez, em Lisboa.    «Da abordagem poética a questões sociais precisas e da sua articulação com referentes culturais fortemente identificáveis, num certo tom de testemunho geracional  – presentes no filme – surgem agora novas peças (fotografias, esculturas, desenhos, instalações, performance) que reforçam o carácter motivacional do todo.

vasco_barata_1   “Les Apaches” convoca tanto o imaginário revolucionário de uma sub-cultura underground materializada sob a forma de grupos de jovens que aterrorizaram a burguesia parisiense no início do século XX (até à primeira Guerra Mundial), quanto a selvajaria identificada pelos Europeus na resistência dos índios nativos americanos, ou mesmo o movimento anarquista Indiani Metropolitani com acção em Itália entre 1976 e 1977.    O surgimento de obras que resultam de colaborações ou de convites dirigidos pelo artista a criadores de outras áreas, que com ele partilham o mesmo território geracional, constitui-se como um reforço do carácter político, mas sobretudo poético que enforma toda a exposição» (segundo informa o press release  da Galeria; para conhecer o restante texto de Bruno Marchand clique aqui ).

 

 

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   Outra, também a encerrar no Sábado 15 de Junho, é a de Eduardo Batarda (foto) na Galeria 111 (Campo Grande) que intitulou “Thumbnails e Modelos – pequenos formatos 2012-2013.

eduardo batarda   Da crítica de Celso Martins (in Actual a 1/6) retirámos : «Desde que nos anos 60 se começou a definir, a pintura de Eduardo Batarda tem sofrido inúmeras reconfigurações, quase todas ao arrepio das modas correntes. Mais do que a mudança em si, que nada tem de transcendente, o que se identifica é um certo modo de mudar … eduardo batarda 12329913481006“Thumbnails e Modelos” é uma exposição composta por umas dezenas de pinturas de pequena dimensão que estilisticamente prolongam trabalhos anteriores de maior dimensão (supostamente) inspirados pela pornografia. Mas se o tema (ou a blague) em torno da pornografia se mantém (os thumbnails fazem referência aos conteúdos obscenos que se abrem como janelas no ecrã do computador), estas pequenas pinturas acusam um caminho de transição para um outro qualquer destino ainda por desvendar. Todas são centralizadas por uma forma tendencialmente rectangular (e ocorre-nos uma referência a um certo outro rectângulo), que se assemelha a um órgão de um corpo posto a pulsar como um eco sugerido por sobreposições e variações cromáticas. Aqui e ali surgem letras de significado obscuro e linhas que estabelecem circulações, mas o que nesta fase temos é ainda a pulsação (já enérgica) de um novo território cujo sentido último terá de esperar por novos desenvolvimentos para melhor se clarificar.»

 

 

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   Finalmente uma terceira, já encerrar neste Domingo, 16 de Junho, é a vídeo-instalação concebida pelo cineasta Harun Farocki e pela curadora Antje Ehmann (foto junto)Antje_Ehmann_Harun_Farocki1_thumb_240x999999 que designaram “Labour in a Single Shot” e se pode ver na Lumiar Cité (Rua Tomás del Negro, nº 8-A, na Alta de Lisboa). Note-se que este prédio do bairro sociallabour in... ali realojado é a verdadeira extensão, em termos expositivos, da Escola Maumaus, a co-produtora do filme, com o Goethe-Institut.

   Explicando a sua génese : «Nos seminários que o realizador Harun Farocki dirigiu em várias cidades do mundo, os participantes foram desafiados a desenvolver projectos sobre o tema do trabalho em formato vídeo, que constassem de um único plano com duração limitada. A exposição resultante segundo a concepção de Antje Ehmann e Harun Farocki consiste numa instalação composta por uma selecção desses filmes, incluindo os do grupo de Lisboa, e pictogramas da autoria de Alice Creischer e de Andreas Siekmann.circularmovement Um dos elementos centrais da instalação é ainda dedicado ao filme dos irmãos Lumière “A Saída dos Operários das Fábricas Lumière” (1895), que documenta uma cena de trabalhadores a saírem do local de trabalho. A inclusão desta obra fundadora do cinema enquadra um bloco de trabalhos que resultam de leituras actuais da situação documentada, pois é cotejada com a saída dos músicos do Conservatório de Lisboa no vídeo seguinte.

   Com a duração máxima de dois minutos (o filme referência dos Lumière dura cerca de um minuto), os vídeos retratam o trabalho em seis cidades da Europa, Ásia e América (Bangalore, Rio de Janeiro, Tel Aviv, Genebra, Lisboa e Berlim). lumiar-cité-farocki-ehmanO ponto de partida deste exercício, para além do tema, foi permitir a reflexão sobre questões relacionadas com o registo fílmico de um processo repetitivo e de como encontrar o seu princípio e fim: A câmara deveria estar em movimento ou num ponto fixo? Será possível filmar de uma forma estimulante e num “plano único” a coreografia de um processo de trabalho? Que tipos de trabalhos são visíveis no centro e na periferia da cidade? O que é típico e o que é invulgar numa cidade e que tipo de trabalho se poderia tornar num desafio cinematográfico?»

   O resultado (segundo críticos como J.M. in Ípsilon) é “uma das melhores exposições deste ano”.

 

 

   Voltando a temas musicais, assinale-se que o espectáculo que anunciámos realizar-se no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian na Sexta e Sábado é agora estendido ao público lisboeta por uma colaboração da FCG com a Santa Casa da Misericórdia pelo que nestecantar gershwin Domingo, 16 de Junho, às 18h, no Largo Trindade Coelho face à Igreja de São Roque «são todos convidados a Cantar Gershwin com o Coro Gulbenkian ».

   Os temas do conhecido compositor norte-americano como “Summertime”, “It’s’wonderful”, “Someone loves me” ou “I got rhythm” serão entoados, neste concerto de entrada livre, pelo Coro Gulbenkian dirigido pelo maestro Jorge Matta, e tal marcará o início da parceria entre a Santa Casa e a Fundação Gulbenkian para a promoção da cultura musical enquadrando-se no lema “Abrimos Portas à Cultura”.

 

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   Ainda na música, no Museu Nacional de Arte Antiga, às 11h deste Domingo, 16 de Junho, desta vez quem actua no “3º Festival de Bandas” é a Banda do Exército.

   O concerto é de entrada livre.

  

 

   Já ligado as Festas de Lisboa’13”, no “Domingo, Dez da Noite, Uma Guitarra”, o guitarrista Custódio Castelo vai estar às 22h no Largo do Chafariz de Dentro para tocar temas do seu segundo álbum, “InVentus”, de 2012.

 

The-Mousetrap-190x270   Deixamos aqui também o alerta para a possibilidade de se poder assistir, durante estas Festas de Lisboa, na sua primeira produção em Portugal, à conhecida peça policial “The Mousetrap” de Agatha Christie no Estrela Hall Theatre (Rua da Estrela, nº 10), interpretada em inglês pelos Lisbon Players sob a direcção artística de Keith Esher Davis.

   Considerada o maior sucesso teatral em Londres (estará aí em cena há mais de 60 anos!), pode introduzir-se desta forma : «Inverno de 1952. Numa casa isolada no campo, oito pessoas estão isoladas do mundo devido a um intenso nevão. Uma delas é um assassino …»

   As sessões às Quintas, Sextas e Sábados são às 21h até Sábado 22 de Junho, sendo a deste Domingo, 16 de Junho às 18h. Pode ver-se aqui uma introdução à peça (e à sua história) pelo Official London Theatre Bulletin :

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

2 Comments

  1. Oh! como eu gostaria de estar em Lisboa para assistir essa montagem de A Ratoeira!
    Tenho uma (santa) inveja dos lisboetas!
    Rachel Gutiérrez

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