EDITORIAL – A IGREJA CATÓLICA E OS LÓBIS

Imagem2Parece que o papa Francisco afirmou recentemente existirem no seio da Igreja Católica Apostólica Romana corrupção financeira e um lóbi gay. São afirmações que requerem um esclarecimento. Poderão até ter sido mal interpretadas. Para quem gosta da ICAR como para quem dela se distancia, para os crentes ou para os ateus, esse esclarecimento é indispensável. Por causa do peso enorme que ela tem  no mundo, mesmo nas zonas onde a religião católica não é dominante.

 Outrora a ICAR teve poder temporal considerável e recebeu tributo dos reis. Há muito que essas prerrogativas foram abolidas. Contudo o seu poder económico e social continua a ser grande. E a sua influência política também. A um nível excessivo, conforme admitem mesmo destacados elementos seus. A ICAR é uma potência no mundo actual, que exerce grande influência sobre os estados e sobre os povos, evidentemente que mais nas regiões onde é preponderante. Organizações suas, como a Opus Dei, exercem grande influência em governos e na vida económica e financeira.

 A ICAR é uma instituição gigantesca. Como tal, exerce influências, mas também as sofre. Longe vão os tempos em que tudo se explicava pelo poder divino. Neste campo, como em outros, talvez estejamos a enfrentar ameaças de retrocesso civilizacional, é verdade. Com a actual crise financeira, a ICAR tem procurado fazer valer a sua imagem de protectora dos pobres, adoptando sempre a perspectiva tradicional do rico que tem pena do pobre. Têm vindo a público por diversas vezes notícias sobre envolvimento de figuras suas em questões financeiras pouca claras, mas que têm confirmado a enorme riqueza de que dispõe a ICAR, sobre a qual urge ter informações concretas, às quais a sociedade em geral, de crentes e não crentes, tem direito a aceder.

 A questão do lóbi gay, a ser comprovada a existência deste, demonstrará sobretudo duas coisas: uma, que a ICAR, apesar da sua mentalidade arcaica e da sua organização férrea, é permeável a infiltrações com objectivos de dominação; segundo, que os princípios antiquados que procura inculcar nos seus seguidores e nos povos em geral, não convencem mesmo alguns dos seus membros mais destacados. Trata-se de uma questão grave, que põe em causa os seus fundamentos mais profundos. E põe a ICAR em confronto com princípios básicos do que uns chamam a civilização ocidental, outros a vida moderna. A ocorrência de situações semelhantes entre os membros de outras religiões há muito que teriam merecido críticas severas da própria ICAR.

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