TORRENTE LUSITANA – por Fernando Correia da Silva

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No início do século XX, António Aleixo, poeta popular, aponta o dedo às injustiças:

                        

Co’o mundo pouco te importas porque julgas ver direito. Como há-de ver coisas tortas quem só vê o seu proveito?

À guerra não ligues meia, porque alguns grandes da terra, vendo a guerra em terra alheia, não querem que acabe a guerra.

Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos, que pode o povo q’rer um mundo novo a sério.

Aleixo compreende até o motivo que lhe permite ver sempre ao longe:

Não é só na grande terra

que os poetas cantam bem:

os rouxinóis são da serra

e cantam como ninguém.

Ser artista é ser alguém!

Que bonito é ser artista…

Ver as coisas mais além

do que alcança a nossa vista!

Torrente algarvia! Melhor dizendo: lusitana! Nada  consegue detê-la. Começou a fluir em cachão quando a língua portuguesa, de norte para sul, brotou na ponta ocidental da Península Ibérica.

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