SEXTA-FEIRA, DIA 21, LISBOA FARÁ SOAR A ‘SUA VOZ’

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Os sons de sinos, embarcações, eléctricos e corporações de bombeiros vão criar um concerto inédito.

Uma orquestra constituída pelos sinos de 15 igrejas, pelas campainhas e buzinas de 25 embarcações, 6 eléctricos, 2 comboios e pelos alarmes sonoros de 6 corporações de bombeiros, com a interpretação a cargo de cerca de 100 músicos, vão dar um concerto inédito de sete minutos, com início às 22h00, no dia 21 de junho. Trata-se da iniciativa ‘Lisboa em Si‘ – Concerto inédito com os sons da cidade, organizada pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Cooperativa Fora de Si.

O objectivo é explorar as possibilidades musicais do anfiteatro natural de uma cidade à beira rio, recorrendo ao aproveitamento dos sons característicos da cidade, como os apitos de embarcações, viaturas de bombeiros e comboios, sinos de igrejas e campainhas de elétricos. Cerca de cem músicos irão interpretar uma peça original em direto, coordenados entre eles via rádio e espalhados pela zona ribeirinha da cidade.

Pela cidade, existirão diversos pontos de escuta privilegiados: miradouros da Graça, Santa Luzia e São Pedro de Alcântara, Castelo de São Jorge, Praça Camões, Praça do Comércio e passeio ribeirinho da Ribeira das Naus. No entanto, a organização assegura que o concerto será audível dentro do perímetro onde o evento vai decorrer, isto é, em toda a zona ribeirinha da cidade de Lisboa, delineada a este pela igreja de Santo Estêvão, a oeste pela igreja de Santa Catarina e a norte pelo Miradouro de S. Pedro de Alcântara.

O principal impulsionador do projecto, Pedro Castanheira,  da Cooperativa Fora de Si, confidenciou que “a ideia nasceu há muitos anos, soprada pelo rio, quando passeava e ouvi um barco a apitar”. Reconhecendo que se trata de uma iniciativa “megalómana” e de um “sonho”, o jovem autor afirma, no entanto, que “hoje em dia é o absurdo que nos salva”. Por isso, há mais de um ano atrás, decidiu apresentar a ideia ao presidente da autarquia. Já foram mobilizados centenas de colaboradores, desde músicos, técnicos e responsáveis por diversas instituições que vão operacionalizar o evento. Pedro Castanheira destacou ainda a vertente do “exercício da cidadania e da política”, como seja a recuperação de sinos com 300 anos e de todo um vasto património que é de todos”. Agora, na expectativa de que nenhuma peça montada para a vasta operação venha a falhar, o autor, músico e sociólogo, espera, com o auxílio de “centenas de outros sonhadores”, poder “dar ordem ao caos dos sons do quotidiano”. Porque, afinal, “tudo isto é fé”.

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