Generosidade, preocupação com o próximo, intervenção social, a luta contra a exploração e a tirania… O reflexo literário dessa atitude será sempre o neo-realismo! Será sempre? Os dogmáticos garantem que sim. Mas em 1962, com a peça O Vagabundo das Mãos de Oiro, Romeu Correia ousa mostrar que diferente pode ser o reflexo…
Lufada varre o palco, sopra a ingenuidade e o encanto dos “romances de cordel”. Na feira, Mestre Albino arma a barraca. É ele o vagabundo criador dos fantoches de trapos e serradura. O seu boneco mais conseguido é Hortense. E não é que, só para seduzir e perturbar os humanos, de repente Hortense acorda, anima-se e toma vida própria?
Romeu acaba de entrar na antecâmara de um “realismo fantástico à portuguesa”. Pena que não tenha tempo, ou apetência, para esquadrinhar todas as possibilidades do reino cuja porta acabou de abrir…