GATOS E RATOS – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

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Na Casa Grande, para nos defender dos ratos, há sempre uma legião de gatos, cinco, seis ou sete. Às vezes mais, se uma gata é parideira e nos esquecemos de oferecer ou afogar as crias. Os bichanos circulam em torno da mansão, trepam às varandas e aos telhados. Não dão tréguas ao batalhão de roedores que, vindos do mato, estão sempre a tentar invadir a Casa Grande. Interrompem a caçada apenas para miar e vir dar marradinhas contra as nossas pernas. Quando eu tinha uns oito anos, o rei dos nossos gatos era o Leopardo. Junto à entrada principal da Casa Grande vi, no princípio de uma manhã, o Leopardo agachado. De repente deu um salto, elasticidade. Com a pata esquerda acertou cutilada num ratinho. O coitado rolou, guinchou, ficou atordoado. Quando se recompôs, tentou fugir. O Leopardo, com a direita, acertou-lhe segunda patada. Nova tentativa de fuga, nova patada. Ficou nessa brincadeira até ao final de manhã. Quando o ratinho morreu, o Leopardo abocanhou-o e veio depô-lo a meus pés, troféu e vassalagem. 

In A COR DOS HOMENS

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