EDITORIAL: A GUERRA SANTA

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Há dias, em Ceuta, a polícia destruiu uma rede clandestina que recrutava homens para irem combater na Síria contra Assad. Parece que nos últimos tempos um número significativo de indivíduos residentes naquela cidade sob administração espanhola seguiu esse caminho. Inclusive alguns já terão morrido executando atentados suicidas, deixando famílias enlutadas, e quem os conhecia incrédulos. Nos territórios vizinhos, pertencentes a Marrocos, também têm ocorrido casos de recrutamento de homens jovens, para irem combater em destinos longínquos, aparentemente movidos pela fé religiosa. Antes de Assad, foram combater outros inimigos, no Iraque, Tchetchénia, Afeganistão, etc.

Sem querer neste momento levantar interrogações sobre a bondade das causas que os fazem seguir semelhante destino, ou sobre quem está por detrás das redes de recrutamento em que foram apanhados, pensemos nas motivações que os levaram a decidir embarcar nestes destinos. Já terá havido que tentasse traçar perfis das suas personalidades, e ficado surpreendido: predominam entre eles os rapazes jovens, com educação e princípios,  com uma vida aparentemente harmoniosa, modesta, e família constituída. Deixam atrás de si gente enlutada e destroçada, com problemas de sobrevivência.

É-nos com certeza permitido pensar um pouco. Observando a situação em que se encontram os países, as regiões, os estratos sociais a que estes jovens pertencem, não custa perceber que a incerteza é o elemento dominante nas suas existências. Incerteza agravada pelas imagens que lhes chegam de uma vida melhor noutros países, e pela compreensão das dificuldades enormes que permanecem entre eles e as suas famílias, e essa vida melhor, seja lá onde ela for. As promessas de melhoria contidas nos diferentes movimentos sociais e políticos poucas melhoras lhes têm trazido, e aguçaram ainda mais o seu desejo de mudança. A religião, enraizada nas suas tradições, prometendo um consolo para as suas enormes frustrações, para um quotidiano sem saída, aparece como o remédio evidente para males sem outra solução. Está aberto o caminho para o fanatismo.

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