SIMÓN BOLÍVAR – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

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Eu, Simón Bolívar, natural de Caracas (Venezuela), arribo à Jamaica e ali denuncio a servidão imposta aos hispano-americanos. Comovo a opinião pública. Aos ingleses peço ajuda financeira para a nossa luta pela independência. Os espanhóis reagem. Em Caracas contratam um escravo a quem eu dera alforria. Ele embarca, chega à Jamaica e tenta assassinar-me.

Um outro ex-escravo, Pétion, presidente do Haiti, ampara-me, a ideia de libertação comove-o sempre. Conta-me histórias de Toussaint L’Ouverture, o Napoleão Negro que chefiara a luta dos escravos do Haiti até à independência.
Em Janeiro de 1817 (já tenho 34 anos), à frente de 700 homens, novamente piso o solo pátrio. Não voltarei a abandonar o Continente.
Durante 4 anos combates na Colômbia. Ali Mariño e Piar tomaram a cidade e o município de Angostura. Eles são pequenos ditadores locais a conspirar contra a minha autoridade centralizadora. Piar abotoa-se com avultada soma de impostos e retira-se de Angostura. É um herói combatente, por isso espera a impunidade. Mando perseguir, prender, julgar e fuzilar Piar. O que é preciso é mão de ferro. Releio Maquiavel, compreendo Napoleão.
Saindo da Argentina, o Gen. San Martin sobe o Continente em campanha vitoriosa contra os espanhóis. Remeto-lhe missiva entusiasta. Convido-o a forjar comigo a unidade da América meridional.
Mando um pequeno destacamento a Nova Granada. Entusiasmo, Nova Granada adere à ideia de libertação global.
Na imprensa inglesa realço as nossas vitórias sobre o exército espanhol de Morillo. Em breve juntam-se a nós 6000 voluntários britânicos. Continuo a tragar Maquiavel.
Paez é meu lugar-tenente. Um coronel inglês quer proclamá-lo Chefe Supremo da Revolução. Paez hesita, entusiasma-se, porém lembra-se do que acontecera a Piar. Denuncia-me o plano. Desterro o inglês e nomeio Paez chefe da cavalaria. Fica satisfeito. Já posso dedicar-me a escrever a Constituição e a organizar o Congresso. Em Janeiro de 1819 reuno 29 deputados em Angostura. Durante o meu discurso vem-me à memória a coroação de Bonaparte em Roma. É aprovada a fusão da Venezuela e Nova Granada num único Estado com o nome simbólico de Grã-Colômbia. Há que defender esta unidade. Outra vez escalo os Andes. A surpresa é a nossa grande aliada. Derrotamos os espanhóis em Boyacá. O Vice-rei de Nova Granada, em fuga, abandona na capital meio milhão de pesos de prata.
Em Cartagena sou aplaudido. Mas em Angostura o Senado conspira contra mim. Ali surjo de repente. Não como acusado, mas como acusador. Não permito que outra vez estilhacem a independência, motins, é só motins… Assumo poderes ditatoriais
A conquista de Nova Granada decide a guerra. Em 1820 o espanhol Gen. Morillo propõe um armistício e reconhece a nossa independência. De imediato renuncio aos meus poderes ditatoriais.

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