– Senhor Martinho, já que o senhor é banqueiro, não precisa de trabalhar na ilha. O senhor apenas se ocupará do nosso dinheiro.
– Cumprirei com satisfação, como todo o bom banqueiro, a tarefa de forjar a prosperidade comum.
– Senhor Martinho, nós vamos construir uma moradia digna de si. Entretanto, poderá residir no edifício onde fazemos as nossas reuniões-
– Muito bem, meus caros senhores, comecemos por descarregar do bote a bagagem que pude salvar do naufrágio: Uma máquina impressora, papel e acessórios, e sobretudo um pequeno barril que deveis tratar com muito cuidado. – Depois de tudo descarregado, o pequeno barril despertou a a curiosidade dos nossos bravos homens.
– Este barril – esclarece Martinho – é um tesouro sem igual, pois está repleto de ouro.
Cheio de ouro! – as cinco almas ameaçavam escapar-se dos cinco corpos tal era a sua admiração. O deus da civilazação entrava assim na Ilha dos Náufragos. O deus amarelo, sempre escondido, mas poderoso, terrível, cuja presença, ausência ou o mais pequeno capricho, pode decidir a vida de cem nações!- Ouro para enriquecer um continente. Mas não é o ouro que vai circular. É preciso esconder o ouro; o ouro é a alma de todo o dinheiro válido. A alma deve permanecer invísivel.
– Eu explicar-vos-ei tudo isso, quando vos entregar o dinheiro – disse Martinho.