PAULO PORTAS DEMITE-SE DO GOVERNO

A decomposição acelerada do governo de Passos Coelho é um facto indesmentível – Paulo Portas, antes da tomada de posse da nova ministra das Finanças, anuncia a decisão irrevogável  de abandonar o executivo. Usando a expressão que Manuel Alegre encontrou para caracterizar a situação, o governo é um morto ligado à máquina. Paul Portas acaba de desligar a máquina, pois a sua saída e o abandono da coligação por parte do CDS-PP deixa o executivo sem a maioria na Assembleia da República. Já esta tarde, o presidente da República afastou a possibilidade de demitir o primeiro-ministro, afirmando que o Governo responde à Assembleia da República. Será que mantém essa decisão (ou essa indecisão)?

Paulo Portas anunciou a decisão de se demitir, pouco antes da tomada de posse. No documento,  contesta a escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da saída de Vítor Gaspar, com quem tinha “conhecidas diferenças políticas”. Para Portas a saída de Gaspar deveria “abrir um ciclo político e económico diferente”. “A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual (…) Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro, que, ainda assim, confirmou a sua escolha [de Maria Luís Albuquerque]. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível”, conclui o comunicado. No próximo fim-de-semana o CDS-PP realiza o seu congresso. Portas, demitindo-se, fez uma jogada hábil que vai potenciar a sua posição como figura de proa da direita.

Pedro Passos Coelho fará ainda hoje uma declaração ao País. Tudo o que não seja o anúncio da demissão do governo, não fará sentido.

 

 

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