POESIA AO AMANHECER – 235 – por Manuel Simões carlosloures3 de Julho de 20132 de Julho de 2013Literatura Navegação de artigos PreviousNext REINALDO FERREIRA ( 1922 – 1959 ) A QUE MORREU ÀS PORTAS DE MADRID A que morreu às portas de Madrid, Com uma praga na boca E a espingarda na mão, Teve a morte que quis, Teve o fim que escolheu. Nunca, passiva e aterrada, ela rezou. E antes de flor, foi, como tantas, pomo. Ninguém a virgindade lhe roubou Depois dum saque – antes a deu A quem lha desejou, Na lama dum reduto, Sem náusea mas sem cio, Sob a manta comum, A pretexto do frio. Não quis na retaguarda aligeirar, Entre “champagne”, aos generais senis, As horas de lazer. Não quis, activa e boa, tricotar Agasalhos pueris, No sossego dum lar. Não sonhou minorar, Num heroísmo branco, De bicho de hospital, A aflição dos aflitos. Uma noite, às portas de Madrid, Com uma praga na boca E a espingarda na mão, À hora tal, atacou e morreu. Teve a sorte que quis. Teve o fim que escolheu. (de “Poemas”) Por ter tido uma vida breve, parte dela vivida em Moçambique, onde faleceu, a sua poesia só se tornou conhecida com a publicação do volume póstumo “Poemas” (1960), que constituiu grande revelação. É dele o famoso poema “Receita para fazer um herói”. Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...