NA PALMA DA MÃO – um poema de Adão Cruz

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Na palma da mão tenho sonhos de liberdade e silêncio para enfrentar a morte

A música treme na palma da mão como incerteza de paisagem e futuro

Quem dera adivinhar a cor desta canção cinzenta que se dissolve no ar que respiro

Neste verão diferente do outro eu quero vestir a primavera sem medo dos tiranos e da moral burguesa

Quero escolher as palavras do poema que fazem chorar os olhos azuis e abrir o sonho à luz do meio-dia

Quero renascer dos versos que dentro de mim acendem as estrelas e clamam por outros seres e outros mundos

Quero seguir quem me chama para outros mares onde o sol sempre nasce e ilumina

Creio que a terra ainda é minha e de espirais de estrelas o meu regresso

O sol arde nas nuvens e o mar verde leva-me para habitar contigo onde quer que estejas

Não sei aprender a morrer fora das linhas desta mão incerta onde as flores de verão deixaram raízes no inverno e hão-de desabrochar na manhã de sol em que partirei

(in Vai o Rio no Estuário)

 

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