CARLOS MAGNO – por Fernando Correia da Silva

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            Aquisgran (Germânia), ano 762 – É um rapaz alto e grande, de olhos vivos, quase sem barba, e o nome dele é Carlos. Deverá ter não mais que vinte anos. Exuberante, sempre ativo, sempre a brincar com as palavras. Quando eu regresso dos trabalhos da lavoura, ao encontrar-me desce do seu cavalo e por ali ficamos a conversar. É muito gentil e sedutor no trato com as mulheres. Vive no castelo e usa espada. Talvez seja pajem. Pela alegria, poderá ser jogral, truão até. Nobre não é certamente pois as suas roupas são muito pobres. Gosta muito de caçar veados e javalis. Mas o que lhe dá maior contentamento é caça grossa. Vejo que mata um urso à lançada, temo por ele. Um dia diz-me que vai ensinar-me a nadar no rio e sinto medo, não sei se de afogamento. Mas insiste e eu vou. E quando chegamos à beira da água, tira a roupa toda e eu baixo os olhos. Depois desaperta o meu corpete e começa a tirar-me a saia e as outras peças e eu deixo e mergulhamos e tenho medo e grito e ele aperta-me contra o seu corpo e beija-me a cara e os olhos, depois a boca. Na margem, debaixo de um carvalho e sobre a relva, entrego-lhe a minha donzelia e sou feliz. E noutro dia, ao sairmos abraçados da floresta, vem uma cavalgada ao nosso encontro e um dos cavaleiros apeia-se, curva-se numa vénia e trata o meu Carlos por príncipe. Fico a tremer e também eu quero fazer uma vénia, mas ele não deixa, puxa-me contra si e ri-se muito. Mais tarde pergunto-lhe por que me escondera ser ele o príncipe Carlos e ele responde:

 

            – Menina, quis que de mim gostasses pelo que sou e não pelo que tenho e posso.

1 Comment

  1. Fernando, eis que ele colheu mais uma flor!
    Pois mando-lhe um poema de uma mulher para um jovem:

    … to be a moment’s ornament

    A teia do meu desejo
    não prende, antes enfeita
    pontilhando de prateado
    teu livre caminho e meu

    Não temas, sou passageira
    fugaz, voraz companheira
    de quem tão pouco viveu

    Nem tenhas nisto tormento
    ou culpa, fica sem medo
    pois quero deixar-te apenas
    meu suave passar, meu canto

    o ornamento de um momento

    abraço,
    rachel

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