O dinheiro de Martinho, na Ilha dos Náufragos, não teria valor se não houvesse qualquer produto na ilha. Mesmo se o seu barril estivesse realmente cheio de ouro, o que poderia este ouro comprar numa ilha sem produtos? Ouro ou papel-moeda, não importa quais os seus montantes ou números nos livros de Martinho, não teriam razão de existir, nem alimentariam quem quer que fosse, se não houvesse produtos alimentares. O mesmo para as roupas e para tudo o resto.
Mas havia produtos na ilha e estas mercadorias provinham dos recursos naturais da ilha e do trabalho da pequena comunidade. Esta riqueza real é que conferia valor ao dinheiro e era uma propriedade dos habitantes da ilha e não propriedade exclusiva do banqueiro Martinho. Martinho endívidava os cinco náufragos com base naquilo que lhes 0pertencia. Eles compreenderam-no quando tomaram conhecimento sobre o Crédito Social. Eles compreenderam que todo o crédito financeiro é sustentado pelo crédito da própria sociedade e não sobre operações bancárias. Compreenderam que o dinheiro deveria ser propriedade deles no momento em que era emitido. Deveria ter-lhes sido entregue, dividido entre eles, e passar de mão em mão, de acordo ccom o fluxo de vendas e compras que entre os cinco se realizasse.
A questão do dinheiro tornava-se então para eles, o que essencialmente é – uma questão de contabilidade.
A primeira coisa que se exige duma contabilidade é que seja exacta, acompanhando a produção ou a destruição da riqueza: produção abundante, dinheiro abundante; produção fácil, dinheiro fácil-, produção automática, dinheiro automático; gratuidades na produção, gratuidades no dinheiro.