MIGUEL HERNÁNDEZ – por Carlos Loures

livro&livros1

No dia 18 assinalámos a passagem de uma efeméride de má memória -em 18 de Julho de 1936, Franco à frente do Exército de África invadiu Espanha e desencadeou a Guerra Civil. Miguel Hernández foi uma das vozes que a vitória franquista silenciou.

 Miguel Hernández (Orihuela, 1910 – Alicante, 1942), foi um grande poeta espanhol da chamada Geração de 27. De notar que neste grupo deImagem1 poetas, assim chamado por se ter dado a conhecer em 1927, quando da homenagem ao poeta Luis de Góngora no Ateneu de Sevilha – são dez os geralmente considerados: Jorge Guillén, Pedro Salinas, Rafael Alberti, Federico García Lorca, Dámaso Alonso, Gerardo Diego, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Manuel Altolaguirre e Emilio Prados. No entanto, muitos outros escritores, romancistas, dramaturgos, ensaístas, são integrados nesta Geração – Max Aub e Miguel Hernández, entre eles. Nascido numa humilde família de camponeses, Miguel foi pastor de cabras e apenas teve acesso ao ensino elementar, pelo que a sua formação foi autodidáctica. Leu e estudou clássicos como Garcilaso de la Vega e Luis de Góngora. Mas não descurou a leitura de contemporâneos como Rúben Darío e Antonio Machado. Tinha vinte e quatro anos quando foi a Madrid conhecendo Vicente Aleixandre e Pablo Neruda. Com o poeta chileno fundou a revista Caballo Verde para la Poesía. As ideias marxistas de Neruda influenciaram profundamente o jovem.

Miguel era católico, mas o contacto com poetas revolucionários como Neruda desencadearam a evolução ideológica que o levaria a afastar-se da Igreja e a assumir posições políticas de esquerda. O triunfo da Frente Popular, catalisou as suas convicções marxistas. Quando a Guerra eclodiu, alistou-se no exército republicano. Deu numerosos recitais na frente de combate. Após a vitória franquista, foi condenado à morte. A pena foi comutada posteriormente em trinta anos de prisão. Miguel não resistiu, no entanto, às duras condições carcerárias – contraiu uma tuberculose e morreu em 1942.

Num concerto de homenagem a Miguel Hernández, realizado no Auditório Nacional da cidade do México, perante dez mil pessoas, Joan Manuel Serrat interpretou diversas canções com versos do grande poetas.Eis uma das canções:

 

Leave a Reply