GRITO DO IPIRANGA – por Fernando Correia da Silva

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No Rio de Janeiro D. Pedro entrega a chefia do Ministério a José Bonifácio. Mas avisa-o que nenhuma ordem vinda de Portugal deve ser executada sem a prévia autorização do Príncipe Regente.  

Em fins de março de 1822, com meia dúzia de acompanhantes e sem escolta pessoal, D. Pedro vai a Minas Gerais tentar diluir as reservas do Governo local contra a sua Regência. Audácia que provoca o aplauso de populares e governantes, até mesmo em Vila Rica, capital da província. O seu arrojo dissipa a desconfiança dos mineiros…  

Ainda em 1822, nos finais de agosto, por motivo idêntico ao de Minas, D. Pedro desloca-se a São Paulo. Ali, em 7 de setembro, junto ao riacho Ipiranga, um mensageiro, acabado de chegar do Rio, entrega-lhe uma carta de José Bonifácio. Lê-a e fica a saber que as Cortes de Lisboa rebaixavam o Príncipe Regente a mero funcionário e que iriam embarcar um regimento para repor a ordem no Brasil. Furioso. D. Pedro saca e brande a espada. Para todos que o cercam, grita:  

– Independência ou morte!  

Frase que ficará conhecida como O Grito do Ipiranga.  

No Rio de Janeiro, para entusiasmo da multidão, em 1 de dezembro de 1822 D. Pedro é coroado Imperador, o primeiro do Brasil. Tem apenas 24 anos. E todo o povo usa o laço que ele desenhara: as palavras Independência ou Morte! estampadas sobre dois tecidos sobrepostos, um verde, outro amarelo. Duas cores a simbolizar a floresta e o ouro, a natureza e a fortuna.


1 Comment

  1. Da primeira vez que estive em S. Paulo, procurei conhecer o tal de Ipiranga e, os meus familiares, levaram-me ao Museu do Ipiranga, que eu também tinha manifestado vontade de conhecer. Aqui chegado, recordei-lhes que também queria ver o rio (!!!) Ipiranga. Eles sorriram e disseram-me que tinha acabado de o atravessar. De facto, a ideia com que tinha ficado na instrução primária caiu por terra, o Ipiranga nem um riacho é.
    Também me disseram no Brasil que o D. Pedro deu o seu grito naquele local só obrigado por um outro facto bem natural. Vinha de Santos e viu-se obrigado a apear-se por uma forte diarreia. Será que foi após ou antes da descarga que recebeu a notícia de Portugal?
    Fiquei também a saber que a pequena casa que existe em frente do Museu do Ipiranga foi usada por D. Pedro para ali possuir/fazer amor (?) com algumas das suas amantes. (Se calhar, escrevo isto com alguma dor de cotovelo).
    A propósito, D. Pedro tinha uma outra amante que lhe merecia mais consideração, dado que mandou o marido da dita Senhora, Tenente do Exército, em missão para Ouro Preto, de modo a ficar com ela livre durante um tempo bem razoável (é só pensar na distância e nos meios de transporte da época), acabando por lhe legar uma casa excelente no centro de S. Paulo, hoje Museu, mesmo ao lado da Catedral. Ainda fico com mais inveja de D. Pedro!
    Penso que tu, meu caro Correia da Silva, conheces pelo menos esta casa, verdadeiro palácio e excelente habitação ainda hoje.
    Um abraço
    António

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