EDITORIAL: PAGA A QUEM DEVES

Diário de Bordo - II

É cada vez mais claro que a tal dívida pública, ou soberana, etc. e tal, é impagável. Não irrevogável, como a demissão do Ministro Paulo Portas, nem inacreditável, como a impunidade de quem por ela é responsável. Mas sim impagável, no sentido de que não é pagável. Cortam-nos no nosso pouco dinheirinho em nome dela, e ela não faz outra coisa senão crescer. Quem a arranjou, está cada vez melhor.

Pedem-se eleições para apear o Dr. Passos Coelho, que não paga a dívida, nem nos paga a nós, em nome da dívida, e os juros sobem, e a dívida aumenta. Conclusão: a dívida aumenta. A dívida para com a troika, não a que ele tem connosco. Bem, depois vem o Doutor Portas com as suas diabruras, e lá vai ela por aí acima. Ficamos todos quietinhos, e vem uma quebra nas receitas fiscais, ou de um terremoto no Qualquerquistão, e ela continua a subir.

Parece que só há poucos anos se acabaram de pagar dívidas do tempo da monarquia. As que temos agora à volta do pescoço vão demorar outra eternidade a pagar, se é que alguma vez o serão. Toda esta girândola de notícias e imposições que nos atiram absorve a nossa atenção e tolhe o nosso raciocínio. Uma notícia pavorosa caiu-nos ontem em cima: no concurso para professores do quadro apareceram mais de 45 000 candidatos e apenas três foram admitidos. Quem poderá negar que estamos perante o desmantelamento do ensino público? Só talvez o ministro Nuno Crato, ou o chefe Passos Coelho. E com certeza que não acreditam no que dizem. Entretanto o Diário de Notícias de ontem recordava-nos que, na Europa, os países onde tem aumentado mais a dívida são os que têm seguido uma política orçamental restritiva, isto é, os que têm posto em prática a política de austeridade com todo o rigor. Vejam:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editorial.aspx?content_id=3337166

A dívida é impagável. Não se consegue pagar.  Mas os líderes e acólitos da direita continuam a  massacrar-nos com a obrigação de pagarmos as nossas dívidas. Esta invocação da unidade nacional para fazer face à dívida pública, não é invocada quando se fala de ser preciso fazer face ao desemprego. Quando alguém fala nesse assunto, ouve-se de outro lado referir a mudança de uma sede social para a Holanda. O corte nos salários e pensões, a destruição do ensino público, são justificados com o pagamento da dívida, assim como a venda para o estrangeiro de algumas empresas públicas, como a EDP ou a ANA, ou a destruição a que se conduz outras, como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Mas a dívida cresce.

Há anos atrás diziam-nos que a prioridade nacional era aproximar o nosso nível de vida da dos países europeus. Os da Europa Central, claro. Depois, começaram-nos a falar do nível de vida dos trabalhadores chineses. Nesta fase, andam a fazer-nos empobrecer em nome da dívida. Se olharem com atenção, verão que são sempre os mesmos.  É em relação a esses que temos uma grande dívida. Mas uma dívida que não se mede em euros, nem em dólares, ou outra moeda qualquer. E que temos de pagar.

1 Comment

  1. A obrigação de pagar a divida imposta aos portugueses é mais uma aldrabice que o terrorismo verbal -verbal por agora – tem debitado, hora a hora. O direito internacional resultante da Sentença de Olmos condena é quem emprestou e, sobretudo, por tê-lo feito de má fé que no caso português serviu para amarrar um Povo a uma dependência equivalente a uma ocupação militar. Infelizmente na governação portuguesa estão demasiados “Gauleiteres” ao serviço dos financeiros internacionais, estes, por seu turno, às ordens da chefe dos hunos. A divida é uma “divida odiosa”.
    Não basta pedir a sua renegociação é fundamental declará-la nula e sem efeito. Que farão os possidentes alienigenos? Nada pior do que já estão a fazer.CLV

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