REGICÍDIO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

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– Ouve lá, ó Joshua Benoliel, ó judeu, ó rapaz do Chiado: tu és monárquico, não és?     Imagem1          

– Quando me fazem essa pergunta respondo sempre que sou fotógrafo. Largam-se a rir e deixam-me em paz. Mas a ti confesso que sou monárquico.

– E és porquê?

– Talvez pela amizade que me dedicava El-rei D. Carlos.

– Como conseguiste aproximar-te de El-rei?

– Através do Júlio Worm, importador de artigos fotográficos, meu amigo e também amigo da família real.

– Vi-te muitas vezes com El-rei D. Carlos I.

– Juntos, fizemos longas viagens, até pelo estrangeiro. Ele a discursar e eu a tirar fotografias. Mais tarde, em 1909, a mesma coisa pela Europa fora com o sucessor, D. Manuel II.

– E nenhum deles tentou arrastar-te para o catolicismo?

– Nunca falámos em religião, cada qual respeitava a do outro.

– Respeitar os outros, democracia? Isso é que era bom… Em 1907 foi o próprio D. Carlos quem fomentou a ditadura de João Franco, chefe do seu Governo. A Carbonária revidou com o regicídio em 1 de Fevereiro de 1908. Lembras-te?

– Não quero falar nisso.

– Quero eu. Em Lisboa, no Terreiro do Paço, fotografas a família real que viaja num landau. Fotografas e abalas. Instantes depois os carbonários Manuel Buíça e Alfredo Costa correm para o landau, disparam e matam D. Carlos e Luís Filipe, o príncipe herdeiro. Recordas e vacilas, não é?

– D. Carlos está sempre a aparecer nos meus sonhos…

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