No extremo sul da África, à vista do Cabo da Boa Esperança, a 23 de Maio de 1500 súbita e furiosa tempestade afunda quatro naus da armada de Pedro Álvares Cabral. Uma delas é a de Bartolomeu Dias, o descobridor do Cabo.
Naquela aflição Bartolomeu ouve um uivo, será o vento, será o lobo do seu pesadelo a preparar o salto lá na proa, arrepio… “Boa Esperança ou Tormentoso?” pergunta ainda, enquanto se debate e vai sendo engolido pelas ondas.
Neste episódio Camões identificará a vingança do Cabo que será metamorfose do gigante Adamastor:
Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório
(…)
Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu, suma vingança.
No sec. XX, para Bartolomeu Dias, Fernando Pessoa lavrará o seguinte epitáfio:
Jaz aqui, na pequena praia extrema, O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro, O mar é o mesmo: já ninguém o tema!