POESIA AO AMANHECER – 253 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

MARIA ALBERTA MENÉRES

( 1930 )

O MINUTO

Uma vírgula triste

nosso corpo turvado.

À noite quando o saco das horas

nos serve de colchão

e os dedos bailam de cansaço.

Um ponto solitário

é o corpo mais longe.

Corremos atrás dele

e o ponto perde-se em distância.

Procuro-te na sombra

no desenho dos portões

no intervalo das árvores

no perfil da lua nova

Dois pontos: o amor

dos corpos no incêndio.

Dois pontos. Uma pausa.

Indicação de tudo.

Estamos gerando uma vírgula triste.

Cultivando o minuto.

(de “Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa”)

Co-organizou a “Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa” (2ª ed. revista, 1961) e a “Antologia da Poesia Portuguesa.1940-1977” (1979). Alguns títulos da sua obra poética: “Intervalo” (1952), “Cântico de barro” (1954), “A palavra imperceptível” (1956), “Água-Memória” (1960), “O Jogo dos Silêncios” (1996). Publicou ainda vários livros de poesia para crianças.

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