SAÍDA DO EURO – A RESPOSTA DE THOMAS COUTROT

Formulação da pergunta e tradução da resposta por Júlio Marques Mota 

À pergunta formulada

 

Eis pois a questão que levanto aqui e agora,  uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que somos,  uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, tendo em conta este conjunto a ignorância, a ganância e a maldade destes que nos governam,  seja  a nível regional seja  a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!)  com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e  talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal

 

aqui  apresentamos  a resposta de Thomas Coutrot.  Um texto denso que os leitores deverão mais tarde ligar com o texto de Armando Fernández Steinko que é praticamente um grande desenvolvimento  sobre um ou outro ponto aqui defendido por Thomas Coutrot.

Thomas Coutrot é um economista e estatístico francês. Chefe de departamento “condições de trabalho e saúde” no  DARES, no Ministério do Trabalho e Emprego, é também um dos animadores da Rede de Alerta sobre as desigualdades. Militante antiglobalização, ele é co-presidente da Associação Attac desde Dezembro de 2009 e é  membro do seu Conselho Científico. Participa também na  Fondation Copernic. Ele é dos quatro membros iniciais fundadores do Movimento Economistas Aterrados.

Olá, Julio

Eu acredito na necessidade de desobediência europeia: um governo de esquerda acaba com as políticas de austeridade, coloca em prática um controlo de capitais (previsto no Tratado em caso de força maior) e financia uma parte das suas despesas públicas e dos seus investimentos com a emissão de títulos da dívida pública (uma espécie de euro nacional sem usar a palavra para não provocar o BCE)

A questão decisiva é a constituição de uma frente de solidariedade europeia com o ou com os governos que levariam a cabo estas decisões corajosas; é por isso que é necessário e de modo absoluto evitar mostrar uma estratégia de querer sair do euro ou de querer romper com a União Europeia e antes pelo contrário, devemos proclamar, em vez disso, o oposto, ou seja, devemos afirmar que se deseja salvar o euro e a Europa, propondo uma revisão do seu funcionamento: esta é a condição para ser ouvido no exterior e para limitar a tomada de atitudes nacionalistas por toda a Europa.

Toda e qualquer estratégia de saída do euro para levar a cabo uma desvalorização competitiva só pode acentuar a concorrência entre os povos e gerar a divisão. A estratégia a utilizar deve, em vez disso, ser uma estratégia de transição ecológica, com base na poupança de energia (para reduzir a factura do petróleo e as emissões de CO2) e deve assentar igualmente na relocalização da produção.

Naturalmente, é provável que a desobediência europeia de um país vá levar à sua exclusão da zona euro, mas neste caso a responsabilidade política desta exclusão deve ser tomada pelos governos e pelo BCE, não pelos países dissidentes. É necessário mostrar que são eles que destroem a Europa, não nós.

Cordialmente

Thomas

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