WIE DIE VÖGEL (COMO OS PÁSSAROS), um poema de Rainer Maria Rilke traduzido por Rachel Gutiérrez

Imagem1 

Wie die Vögel, welche an den grossen

Glocken wohnen in den Glockenstühlen,

plötzlich von endröhnenden Gefühlen

in die Morgenluft gestossen

und verdrängt in ihre

Flüge

Namenzüge

ihren schönen

Schrecken um die Türme schreiben:

 

Können wir bei diesem Tönen

nicht in unsern Herzen bleiben

 

 Rainer Maria Rilke*

  

Como os pássaros,

alguns que moram nos grandes sinos

dos Campanários

súbito, pelo sentimento da retumbância

são desalojados e impelidos em seu voo

no ar da manhã

e escrevem a bela forma de seu susto

ao redor das torres :

 

não podemos permanecer em nossos corações

quando os sinos soam.

*Autor das Elegias de Duino, um dos mais belos monumentos da poesia ocidental, cuja construção interrompida por longos e angustiados silêncios lhe cosumiu 10 anos, Rilke é o poeta da solidão e da morte, do infinito e do eterno, dos grandes espaços e do puro Tempo imensurável e indizível.

Nestes versos de circunstância, porém, o poeta é apenas o homem cortês que, segundo Lou Albert-Lasard ( não confundir com Lou Andreas-Salomé) , “tinha não apenas a paixão, mas cultivava a arte de presentear”. E assim como, voltando de seus passeios matinais, podia surpreender a amiga pintora com um vaso antigo ou uma estatueta, trazia-lhe também versos, copiados com sua letra cuidadosamente desenhada.

O poema Wie die Vögel chegou às mãos da autora de um conhecido retrato de Rilke na manhã de um dia de outono, em Munique, e faz parte do livro Wege mit Rilke, de Lou Albert-Lasard, publicado por S.Fischer Verlag, de Frankfurt, em 1952.

Tradução e comentário de Rachel Gutiérrez

(Ilustração – Reprodução de quadro de Dorindo Carvalho)

Leave a Reply