*Autor das Elegias de Duino, um dos mais belos monumentos da poesia ocidental, cuja construção interrompida por longos e angustiados silêncios lhe cosumiu 10 anos, Rilke é o poeta da solidão e da morte, do infinito e do eterno, dos grandes espaços e do puro Tempo imensurável e indizível.
Nestes versos de circunstância, porém, o poeta é apenas o homem cortês que, segundo Lou Albert-Lasard ( não confundir com Lou Andreas-Salomé) , “tinha não apenas a paixão, mas cultivava a arte de presentear”. E assim como, voltando de seus passeios matinais, podia surpreender a amiga pintora com um vaso antigo ou uma estatueta, trazia-lhe também versos, copiados com sua letra cuidadosamente desenhada.
O poema Wie die Vögel chegou às mãos da autora de um conhecido retrato de Rilke na manhã de um dia de outono, em Munique, e faz parte do livro Wege mit Rilke, de Lou Albert-Lasard, publicado por S.Fischer Verlag, de Frankfurt, em 1952.
Tradução e comentário de Rachel Gutiérrez
(Ilustração – Reprodução de quadro de Dorindo Carvalho)