POESIA AO AMANHECER – 260 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

LIBERTO CRUZ

( 1935 )

“DO ADORMECIDO MAR”

Do adormecido mar

é a hora. Da aragem

o momento já chegou.

Uma gaivota ao longe

esvoaça. Perturbando

vai o espaço. Cansada

súbito hesita. Poisa.

E na rocha suja fica.

Quase exausto um homem

das ondas fugindo vem

e trémulo se desloca.

Pára. Avança. A água

por vezes olha. Sorri:

sua viagem prossegue.

(de “Caderno de Encargos”)

Fundador da revista “Sibila” (1961). Dirigiu a colecção “Poesia e Ensaio” da Ulisseia (1964-1966). É actualmente presidente da APCL-Associação Portuguesa dos Críticos Literários. Obra poética: “Momento” (1956), “A Tua Palavra” (1958), “Névoa ou Sintaxe”(1959), “Itinerário” (1962), “Gramática Histórica” (1971), “Distância” (1976), “Jornal de Campanha” (1986), “Caderno de Encargos” (1994).

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