SAÍDA DO EURO – A MINHA RESPOSTA. Por JÚLIO MARQUES MOTA

O argonauta Júlio Marques Mota responde à pergunta que ele próprio formulou

À pergunta formulada

Eis pois a questão que levanto aqui e agora,  uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que é,   uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, e tendo ainda em conta o conjunto,  caracterizado pela ignorância, ganância e maldade,  destes que nos governam,  seja  a nível regional seja  a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!)  com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e  talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal

eis a minha resposta

 

A minha resposta à pergunta feita no blog sobre o permanecer ou sair do euro

Parte I

Duas a três ideias me surgem ao ler o trabalho de Yanis Varoufakis, Stuart Hollande e Galbraith, assim como a entrevista de Jorge Nascimento Rodrigues do Expresso a Varoufakis, relativamente ao plano apresentado, o Investment-led Convergence and Recovery Program-ICRP, uma espécie de New Deal para a sinistrada zona europeia. Duas a três ideias que estão ligadas ao debate aberto e lançado no blog A Viagem dos Argonautas, sobre a morte de um pequeno país por estar dentro da zona euro e sujeito ao massacre das políticas de austeridade e à espoliação dos seus recursos produtivos, sobre a morte de um pequeno país por estar fora do euro num contexto de concorrência agressiva à escala planetária e sem regulação à escala internacional, uma vez que a OMC não conta ou, se conta, conta então como o organismo defensor ao limite da ordem mundialmente estabelecida, caracterizada pela concorrência desenfreada e sem que se acautelem as condições de base para que se possa falar em concorrência não falseada. É um mundo onde impera a lei do mais forte.

Em termos de comércio internacional, sem recursos produtivos, endividado e amarrado ao incumprimento da dívida soberana, ou seja, acorrentado às fortes pressões internacionais e eventuais embargos, sem hipótese de assentar a sua dinâmica de crescimento num modelo led-growth pelas exportações, pois no quadro recessivo actual exportar o quê e para quem e sobretudo contra quem, o que aqui não nos podemos esquecer pois também não seria de excluir uma guerra das moedas, qual será então a via de saída da crise para a maioria dos países desta Europa martirizada pelas tendências quase que criminosas do trio sediado em Bruxelas, Frankfurt e em Berlim e pelas tendências quase que “auto-suicidas” dos países que estão sujeitos e aceitam praticar estas mesmas políticas? E sobretudo, no caso português, se pensarmos que somos um pequeno país, rapidamente e indubitavelmente arrasado por um sopro dos mercados de capitais.

Para resposta à minha pergunta, publicada no blog A Viagem dos Argonautas desde há perto de um mês iremos tomar como referência dois países, ambos da UE, um da zona euro, a França, enquanto o segundo goza da enorme vantagem de não estar na zona euro, a Inglaterra.

O exemplo da Grã-Bretanha aí está a mostrar que a saída da crise pela saída do euro também não promete ser nenhuma saída no contexto da actual globalização e da espiral recessiva imposta por Bruxelas, Frankfurt e Berlim, com o apoio do FMI. Apesar de não estar na zona euro, só não está numa situação igual à da Grécia graças à emissão via quantitative easing de cerca de 375 mil milhões de libras e aos seus refinanciamentos a baixa taxa de juro permitidos talvez porque se trata da City. E tudo isto apesar de ter desvalorizado a libra em cerca de 25% desde 2007. Apesar destas condições favoráveis face a todos os que permanecem amarrados às políticas impostas pelo suposto resgate do euro, os resultados são escandalosamente maus. Naturalmente assim, com políticas de austeridade e num ambiente globalmente recessivo, naturalmente assim quando os principais parceiros da Inglaterra são os Estados membros da União. Mas Bruxelas, Berlim, Frankfurt e Londres igualmente parecem estar indiferentes a esta dura realidade, uma realidade bem evidenciada nos gráficos abaixo, onde o rendimento da Inglaterra é o de menor crescimento depois da crise (gráfico da esquerda) e em que o investimento cai a pique na Inglaterra com o rebentar da crise (gráfico da direita). Esta queda mostra que não se está a dar verdadeiramente nenhuma resposta à crise, pois uma saída desta passaria pelo aumento do investimento e não pela sua contracção. Mas os “austerianos” entendem que a contracção há-de ser expansionista e continuam portanto a defender a austeridade. Nem é por acaso que o ministro das Finanças inglês, George Osborne é um dos grandes defensores das teses de Reinhart e Rogoff. Pague primeiro, viva depois, parece ser o lema, mas o pior é que para muita gente não haverá depois pois a situação vai-se gradualmente degradando como se deslizássemos num plano inclinado ao fundo do qual haverá a explosão do embate para mais crise ainda. A queda do investimento aqui mostrada é o que anuncia.

Gráfico I e II: Evolução dos fundamentais

Júlioresposta - I

Gráfico III: Balança corrente em percentagem do PIB

 Júlioresposta - II

Gráfico IV: Evolução da produção total e da produção da indústria transformadora

 Júlioresposta - III

Como o gráfico IV nos mostra, entre 2003 e 2007, a indústria transformadora cresceu a uma taxa maior que o valor total da produção o que foi devido principalmente ao declínio observado no petróleo e na extracção de gás. Por outro lado a indústria transformadora cai a uma taxa mais elevada do que a produção durante a fase recessiva entre 2008 e 2009, e cresce a uma taxa mais elevada entre meados de 2009 e meados de 2011. Desde aí, tem continuado a contrair-se. Comparando o primeiro trimestre de 2013 com um ano antes, ambos (a indústria transformadora e a produção global), caem 2,6%.

(continua)

2 Comments

  1. A política portuguesa não pode contemplar as suposições dos economistas já que, jamais, acertaram numa das suas quaisquer previsões. A disciplina que praticam é assim mas, é bom reconhecer, podia ser totalmente inversa. A objectividade que a informa – se se pode aplicar este entendimento – é, apenas, a do alcançar, a qualquer custo, o lucro para, apenas, alguns, uma circunstância criminosa que não consegue ter, como é perfeitamente exigível, uma qualquer sustentação política democrática. Fugir a este desiderato é grave, definitivamente grave!
    Útil, por ser politicamente correcto e muito saudável para os portugueses, é apostar em prejudicar os interesses económicos e políticos dos Estados continentais da Europa, afinal, meros conglomerados de Nacionalidades Oprimidas, tenham-nas sido por heranças dinásticas inaceitáveis tenham sido, na maioria dos casos, por roubos à mão armada. Se nós – e muito bem- não podíamos ter colónias que razão haverá para que outros as tenham?
    O Mundo para os portugueses nunca teve intimidades políticas e comerciais que não fossem com os europeus marítimos. Defender qualquer ligação política multilateral com os estados da Europa continental será dar-lhes a ganhar indevidamente tudo quanto nunca tiveram como, por exemplo, dada a sua enorme importância estratégica, o único porto de mar de águas profundas qua há na Europa ocidental.
    A aceitação jacobina da integração português na CEE/União Europeia/IV Reich, inevitavelmente, havia de conduzir – como tem conduzido – o nosso País e a sua População á situação duma mera colónia dos germânicos. A situação actual de pobreza imposta, pelo menos, aos portugueses, aos gregos e aos irlandeses não é mais que uma estrada aberta para as suas dominações políticas e económicas. Temos de sair donde nunca devíamos ter entrado.CLV

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