PAU-BRASIL – por Fernando Correia da Silva

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Sílvio Castro, Ethel Feldman, Manuel Simões, Fernando Correia da Silva… Todos estes argonautas de que temos estado a publicar textos irão colaborar na edição de 7 de Setembro. Neste seu conto, Fernando Correia da Silva, toca um ponto sensível da colonização portuguesa – aquela que, segundo a tese de Alfredo Margarido constituiu uma «revolução biológica» sem a qual a Revolução Industrial não teria sido necessária. E, ao contrário do que se diz, não foi por acaso – tudo foi feito de acordo com a mais avançada investigação científica – Garcia de Orta foi um expoente do conhecimento do século XVI – a transplantação de espécies botãnicas entre continentes,foi decisiva para o desenvolvimento económico da Europa. E, no Brasil, o padre Manuel da Nóbrega desenvolveu um labor de grande relevância ao fazer um levantamento de espécies indígenas.

Na Mata Atlântica da Terra de Vera Cruz, desde o Rio Grande do Norte até ao norte do Estado de S. Paulo, há uma árvore dominante. Tem uns 30 metros de altura e os botânicos dão-lhe o nome de caeselpnie echinata.  Mas os portugueses preferem chamá-la pau-brasil porque ela tem uma resina que funciona como corante, todos os tecidos são por ela puxados para o vermelho tom de brasa. Essa resina, que também pode transformar-se em tinta de escrever, chama-se brasileína. Consequência: terra do brasil, ou Brasil, passa a ser o nome da Terra de Vera Cruz.

Antes da descoberta e ocupação da Terra de Vera Cruz pelos portugueses, a caeselpnie echinata já era conhecida na Europa, porque os árabes iam comprá-la  no Ceilão, em Sumatra, na Indonésia, para depois vendê-la no Velho Continente a preços fabulosos que a distância percorrida exigia.

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