Quem, nestes últimos dias, consultou a Imprensa portuguesa ou ouviu a Comunicação Portuguesa em geral, ficou decerto muito confuso e algo estupefacto com o que se passou.
De facto, perante a agudização do conflito entre a Espanha e a Grã-Bretanha em torno da Questão de Gibraltar, as mais inesperadas omissões verificaram-se em diversos artigos de opinião.
Houve responsáveis de jornais que criticaram a Espanha, pelo facto de se esquecer que ao levantar da questão do “Rochedo”entrava em contradição em relação a Ceuta (e Melilla). Houve jornais que publicaram extensas cronologias do conflito de Gibraltar, desde 1704. Comparações houve-as, também, com a questão das Malvinas (Argentina e Grã-Bretanha).
Tive o cuidado de verificar, em vários “sites”, os comentários a estas notícias. Centenas ou mesmo milhares deles referiam a necessidade de se falar da Questão de Olivença. De uma forma ou de outra, alguns opinadores respeitáveis e conhecidos referiram, aqui e além Olivença. Um ou outro de forma séria. Outros tentando fazer humor. Houve um que afirmou saber que a questão não estava resolvida, mas que só um reduzido grupo de portugueses se interessavam por isso. bem, pelo menos este sabe que, para o Estado português, é ilegal a administração espanhola da cidade referida….
Todos estes intelectuais não repararam na “multidão” de comentários nos mais diversos “sites”. Os que se referiram a isso, mais não fizeram do que refletir o que era pensado por muitos. Não foi por acaso que o referiram, mas sim porque tal anda nas bocas e pensamentos de muita gente. E estes mesmos intelectuais, opinadores, defensores do politicamente correto, não se dão conta de que são eles mesmos que, ao desprezarem esta comparação óbvia, este ressentimento mais ou menos difuso que paira na cabeça de muitas pessoas, são eles mesmo que, repito, ajudam a silenciar este sentimento. E alguns órgãos de comunicação, claro, pois não referem o teor dos inúmeros comentários que não podem deixar de observar!!!
Alguns destes conceituados cronistas, ou “fazedores” de opinião, apesar da dificuldade que o tema “Olivença” tem em fazer-se ouvir, sabem que desde 2008 surgiu naquela localidade um grupo cultural pró cultura portuguesa ( que se nega a tomar posição sobre a questão diplomática), que, entre outras coisas, devolveu os antigos nomes portugueses a 74 ruas e praças… após pressão sobre a autarquia local. Falo da Associação “Além Guadiana”, que em Março esteve presente, durante uma hora, num programa de televisão.
Embora a notícia desta recente “movimentação” não esteja a ter facilidade em ser divulgada, muitas figuras de destaque da nossa intelectualidade foram informadas pessoalmente.
Ninguém quer envolver estes oliventinos nas polémicas de soberania, mas não se pode dizer que a “portugalidade” de Olivença só interessa, atualmeste, a meia dúzia de “iluminados. Parece haver, isso sim, quem esteja interessado em que tal continue a ser a opinião mais ou menos “oficial”.
Há quem diga que Portugal está a perder a dignidade. Infelizmente, estes factos parecem apontar nesse sentido!!!!
