EDITORIAL – MARINHO PINTO E AS SUAS PEDRADAS NO CHARCO

Imagem2Não está na nossa índole de blogue que defende o respeito pela igualdade (sem esquecer a liberdade e a fraternidade), o culto de personalidades. Internamente, evitamos a exibição de habilidades. Externamente, evitamos a exaltação de figuras, preferindo salientar atitudes e divulgar princípios. Porém, num pântano onde saltitam e coaxam muitas espécies de invertebrados, é de felicitar quem, com pedradas certeiras e arremessadas com força, lhe acerta, fazendo saltar a água apodrecida em que germina, se alimenta e reproduz a sórdida bicharada. Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados e jornalista, é um desses poucos fundibulários, perturbando a tranquilidade nauseabunda do charco com as suas declarações públicas e com os seus artigos jornalísticos.

Pedradas certeiras, quase sempre. Lembramos a entrevista em que desmascarou a actividade mercenária de Manuela Moura Guedes, um exemplo flagrante do que não deve ser um jornalista isento.

Na passada semana deu nas vistas (e circula pela net) um artigo seu no Jornal de Notícias, referindo a medida que o executivo PSD /CDS se prepara para pôr em prática – reduzindo em 10% os montantes das pensões do sector público e que como Marinho Pinto diz, não só põe  em causa, como constitui a negação dos mais elementares princípios do direito. «Com essa medida, o PSD e o CDS retiram a milhares de idosos as condições de dignidade para o fim das suas vidas, pois com esse corte muitos idosos terão de reduzir ou eliminar despesas» (…)«essenciais à sua existência, tais como alimentação e medicamentos». Medidas que violam «o contrato de cidadania que o Estado havia celebrado com os seus servidores, mediante o qual estes teriam, no fim da sua carreira contributiva, direito a uma pensão proporcional às respectivas contribuições» violando também «as mais basilares regras jurídicas, já que, com uma pusilanimidade estonteante, rasgam os contratos vitalícios que o Estado havia celebrado.». (…) «Mas, ao mesmo tempo que se preparam para cortar impiedosamente nas pensões dos aposentados, incluindo daqueles que auferem apenas algumas centenas de euros mensais, o PSD e o CDS propõem-se, com a mesma insensibilidade, isentar desses cortes magistrados e diplomatas, muitos dos quais auferem pensões superiores a cinco mil euros mensais» (…)«Porém, como não há almoços grátis, a prebenda que o PSD e o CDS se preparam para oferecer aos magistrados deve ter, obviamente, por detrás, negociatas malcheirosas» (…)«só faltando apurar o que os magistrados, sobretudo os juízes, darão em troca ao PSD e ao CDS, além do que já deram no passado recente».

Boa pergunta. Boa pedrada.

4 Comments

  1. Infelizmente, a situação dos aposentados brasileiros é IDÊNTICA à dos irmãos portugueses.
    Que vergonha para a nossa triste “humanidade” luso-brasileira.!
    E não há pedras que cheguem para denunciarmos tanta injustiça. Bravo! muitas vezes bravo! ao editorial de Loures.

    Rachel Gutiérrez

    1. Obrigado, Rachel Gutiérrez.
      É importante que denunciemos os crimes que estão a ser cometidos – porque de crimes se trata. As medidas de austeridade, ao reduzirem as já de si limitadas pensões de aposentação, impedem idosos de se alimentar e de se medicar convenientemente. O que os vai matando (diminuindo o número de pensões a pagar pelo Estado). É um holocausto silencioso, o dos velhos que aparecem mortos. Para os nazis houve o Tribunal de Nuremberga. Para estes imbecis, sem honestidade, sem sentido de honra, que matam em nome da eficácia e do pragmatismo, não haverá tribunal. Quando as eleições os enxotarem do poleiro, o “castigo” será um cargo em Bruxelas ou nas Nações Unidas…

  2. Só senti necessidade de falar sobre esta questão uma vez que eu próprio, nos devaneios que vou tendo neste tempo que agora me sobra, já qualifiquei esta intentona contra os pensionistas (mas não só!) como a “solução final” portuguesa. É eficaz, limpa e, aparentemente, não irá pesar na consciência dos nossos eleitos!

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