SAÍDA DO EURO – A MINHA RESPOSTA. Por JÚLIO MARQUES MOTA

O argonauta Júlio Marques Mota responde à pergunta que ele próprio formulou

À pergunta formulada

Eis pois a questão que levanto aqui e agora,  uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que é,   uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, e tendo ainda em conta o conjunto,  caracterizado pela ignorância, ganância e maldade,  destes que nos governam,  seja  a nível regional seja  a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!)  com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e  talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal

eis a minha resposta

A minha resposta à pergunta feita no blog sobre o permanecer ou sair do euro

PARTE V
(CONTINUAÇÃO)

As causas do desemprego na Inglaterra têm diferentes origens:

1. Recessão. Causa de forma cíclica, um fraco nível de emprego. Com a queda do PIB real, então as empresas estão a produzir menos e, portanto, há menos procura de trabalhadores. Também numa recessão, muitas empresas podem ir para a falência, como é o caso português, fazendo assim que muita gente perca o seu emprego.

2. Factores Estruturais. Há o desemprego a que se chama desemprego estrutural devido a mudanças rápidas havidas na economia. Por exemplo, os empregos na indústria transformadora têm sido perdidos devido ao facto da economia mudar a sua estrutura a favor do sector serviços. Alguns trabalhadores desempregados têm encontrado muitas dificuldades em conseguir empregos nas novas indústrias de alta tecnologia porque eles não possuem as habilitações adequadas. Este é um fenómeno de uma extraordinária importância em fase da globalização e da concorrência selvagem que está na base da desindustrialização europeia e na aceleração do seu desemprego de curta e sobretudo de longa duração. Diremos mais, procurar aplicar políticas recessivas num contexto destes significa que o desemprego irá aumentar pelas duas vias aqui clássicas de uma sociedade desenvolvida na economia mundializada: queda brutal em certos serviços, associados ao sector das Famílias, e no emprego por essa mesma razão a que se acresce o desemprego provocado pela deslocalização industrial. E a saída, pensa-se, é a redução salarial, como se chama também a destruição do Estado Providência. Sublinhe-se que a Inglaterra está submetida a um forte programa de austeridade como não há memória e veja-se o ataque à função pública, ao ensino, ao sistema de saúde, outrora uma referência mundial. Isto dá para percebermos bem, que lá, na Inglaterra, cá, em Portugal, e pelo meio na zona euro, o modelo é exactamente o mesmo! E as vantagens relativas de que a Inglaterra se pode servir são exactamente anuladas pelo modelo económico seguido, e isto tanto interna como externamente. É por aqui que passa o drama da Europa, o resto são as consequências e fingir que se atacam as consequências mantendo intacto o modelo que as gera, é patético para não ser dramático. E vai-se degradando a situação, vai-se diminuindo a capacidade de resposta. Os dados recentes do Eurostat disso nos dão conta:

Dívida pública por Estado-membro no final do primeiro trimestre de 2013

No final do primeiro trimestre de 2013, os rácio da dívida relativamente ao  PIB mais elevados foram registados na Grécia (160,5%), na Itália (130.3%), em Portugal (127.2%) e na Irlanda (125,1%) e os valores mais  baixos na  Estónia (10,0%), na Bulgária (18,0%) e no Luxemburgo (22,4%).

Gráfico XIX: Rácio da dívida relativamente ao PIB dos diferentes Estados-membro da UE no final do primeiro trimestre de 2013 (1ºT2013)

júlio - XVIII

Em comparação ao primeiro trimestre de 2012, 24 Estados-Membros registaram  um aumento na sua proporção dívida pública relativamente ao PIB no final do primeiro trimestre de 2013 e três diminuíram. Os maiores aumentos deste rácio  foram observados na Grécia (+ 24,1 pp), na Irlanda (+ 18,3 pp), em Espanha (+ 15,2 pp), em  Portugal (+ 14,9 pp) bem como em Chipre (+ 12.6 pp), enquanto a diminuição foi regista  na Letónia (5.1 pp), Lituânia (1,9 pp) e na  Dinamarca (0,2 pp).

Gráfico XX: Variação do rácio da dívida relativamente ao PIB dos diferentes Estados-membro da UE entre final do 1ºT2013 e o final do 1ºT2012

 júlio - XIX

Melhor texto contra as políticas de austeridade impostas na Europa que estes dois gráficos não me parece fácil de encontrar. A situação vai-se degradando. Já o dissemos, e por este caminho até ao desenlace final, até à explosão do euro. Aliás, ainda agora Brad Delong[1] chama a atenção para o perigo de muito em breve podermos estar perante mais uma crise e mais forte ainda que a presente, exactamente porque se está a deixar o modelo intacto e a degradar-se a sociedade cada vez mais, Veja-se o caso português, se há dúvidas quanto à degradação referida!

3. Desemprego de cariz geográfico. O desemprego é mais elevado em determinadas regiões e áreas específicas (por exemplo, norte). Existem imobilidades geográficas que tornam difícil para os desempregados mudarem-se para o Sul, onde mais postos de trabalho estão disponíveis.

4. Desemprego friccional. Há sempre algum desemprego devido a factores de fricção como, por exemplo, o tempo que levam os desempregados a encontrarem um novo emprego.

5. Desemprego jovem. O desemprego é muito maior na classe dos jovens, muitas vezes porque lhes falta a formação ou a experiência ou ainda uma verdadeira motivação.

Gráfico XXI: Desemprego Jovem em percentagem

 júlio - XX

(continua)

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[1] J. Bradford DeLong, A segunda Grande Depressão – Porque é que a crise é pior do que pensávamos?, Julho de 2013, a publicar brevemente no blog A Viagem dos Argonautas.

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Para ler a Parte IV deste trabalho, publicada ontem aqui em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/18/saida-do-euro-a-minha-resposta-por-julio-marques-mota-4/

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