O argonauta Júlio Marques Mota responde à pergunta que ele próprio formulou
À pergunta formulada
Eis pois a questão que levanto aqui e agora, uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que é, uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, e tendo ainda em conta o conjunto, caracterizado pela ignorância, ganância e maldade, destes que nos governam, seja a nível regional seja a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!) com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal
eis a minha resposta
A minha resposta à pergunta feita no blog sobre o permanecer ou sair do euro
PARTE VIII
(CONTINUAÇÃO)
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Como a grande tendência dos fluxos originários ou com destino à Alemanha saliente-se que as mais fortes progressões das importações feitas pela Alemanha são geradas pelos países europeus não membros da zona euro, como o são igualmente pela China e pela África. As mais fortes progressões nas exportações alemãs estão ligadas aos mercados emergentes da nova Ásia e da América Latina assim como destinadas aos países produtores de energias, como se ilustra esquematicamente:
Gráfico XXVII e XXVIII: Ventilação do comércio da Alemanha por zonas
Até a véspera da crise de 2008, a importância crescente da Alemanha como potência industrial é construída servindo-se principalmente da França, Reino Unido e da Itália, ou seja, sacrificando outros parceiros industrializados, é feita pois no interior da zona euro. No total, em menos de dez anos, a parte deste trio nas exportações da UE diminuiu 9 p.p.. Ao mesmo tempo, a parte alemã manteve-se estável, enquanto os PECO aumentaram 6 p.p. Assim, a parte do sistema de valor, formado pela Alemanha e seu Hinterland cresceu 7 p.p. (ver tabela abaixo).
Tabela 1: Repartição das exportações na EU
O movimento regional do comércio alemão é realmente espectacular. Se o seu aparelho produtivo continua a integrar as actividades sub-contratadas na Europa de Leste, as suas exportações aceleram desde há quatro anos a sua eclosão para maiores distâncias, para fora da zona euro e para fora da própria União Económica.
Se o seu excedente comercial é consideravelmente estável entre 2007 (€197 mil milhões) e hoje (€196 mil milhões nos últimos 12 meses, incluindo Março de 2013), isto esconde de facto uma mudança drástica das vendas para os mercados situados fora da Europa. O excedente era de 2/3, alimentado pela UE em 2007. Ele agora é gerado em 3/4 mas alimentado fora da UE (ver tabela abaixo).
Tabela 2: Decomposição geográfica do excedente alemão
Desde o início da crise, o excedente alemão sobre os seus parceiros na União caiu cerca de 77 mil milhões de dólares. Trata-se de um recuo duas vezes mais acentuado do que o da França. Ao mesmo tempo, o excedente alemão cresceu quase 70 mil milhões de dólares fora da UE, contra 10 mil milhões apenas para a França (visualizar gráficos abaixo):
Gráfico XXIX: Saldo comercial intra-UE Gráfico XXX: Saldo comercial extra-EU
Gráfico XXXI: Exportações extra-EU Gráfico XXXII: Importações intra-UE
A análise dos fluxos é também intuitiva sobre as escolhas estratégicas alemãs. As exportações da Alemanha para fora da UE subiram €131 mil milhões (ver gráficos acima). Simultaneamente, a Alemanha aumentou massivamente as suas importações da UE, incluindo as que são de fora da zona euro no seio da UE, ou seja, do seu interior (ver gráficos acima). E é daqui que vem o colapso do seu excedente intra-europeu.
(continua)
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Para ver a parte VII, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/21/saida-do-euro-a-minha-resposta-por-julio-marques-mota-7/






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