Um Café na Internet
Depois da morte matada de Inês de Castro, D. Pedro não voltou a casar nem a amancebar-se. Sei apenas que, de uma Teresa Lourenço, teve ainda um bastardo ao qual pôs o nome de João. O que ninguém levou ou leva a mal… Nestes tempos, todo o nobre que se preza, em casa tem um rancho de filhos legítimos e fora de casa tem um rancho de bastardos. O curioso é que este bastardo João virá a ser o futuro Mestre de Aviz, fundador da segunda dinastia portuguesa. Sei isto porque pertenço aos séculos XX e XXI. Para mim, que estou aqui, o que ainda vai ocorrer, já ocorreu…
Pelo mesmo motivo também sei que os amores de Pedro e Inês irão inspirar não apenas gerações de artistas portugueses, mas de artistas de todo o mundo. Serão tema de ópera na Itália, de zarzuela em Espanha, de romance e tragédia em França, etc.
Que mais tenho eu a dizer? AH, já sei: D. Pedro morre em 1367, em Extremoz, e o seu corpo é depositado no túmulo do Mosteiro de Alcobaça, ao lado do túmulo de Inês de Castro. Governou o Reino durante dez anos. E o povo, choroso, diz que “este rei nunca havia de morrer” e que “tais dez anos nunca houve em Portugal como estes em que reinou El-Rei D. Pedro”.
Bem, acho que já chegou a hora de regressar ao meu próprio tempo, o melhor é deixar-me escorregar pelo meio do sono…

