EDITORIAL – MUITOS INCÊNDIOS E DUAS EFEMÉRIDES

Imagem2Incêndios por todo o País, havendo a lamentar a morte de bombeiros e elevados prejuízos materiais. Fogos postos, em alguns casos, pois Uma legislação benévola para com criminosos, continua a permitir que, por razões económicas, por negligência ou devido a patologias do foro psiquiátrico haja quem provoque estas catástrofes cuja dimensão global, em grande medida, se poderia minimizar. Um ministro pomposo e com a ineficácia que é timbre deste executivo, desdobra-se em declarações com palavras ocas que nada contribuem para resolver seja o que for. No terreno, quem vê a vida em perigo e os haveres destruídos, acusa quem está mais à mão e quem põe a própria vida em risco – os bombeiros.

Num dia em que, quem pode acorre às praias, sem verba para despesas extra, pois o subsídio de férias desapareceu no vórtice da solidariedade nacional com outros criminosos que enriqueceram subitamente, mas podendo, por enquanto, apanhar algum sol sem pagar um imposto, lembramos duas efemérides – 23 de Agosto de 1793 e 23 de Agosto de 1939.

Na primeira, a  Convenção decretava em Paris a criação de catorze exércitos de cidadãos organizados e operacionais. A Revolução tentava defender-se do enxame de inimigos do exterior e do interior. Tal foi o sentido do famoso “levantamento em massa” decretado pela lei de 23 de Agosto de 1793 que, facto sem precedente, colocou todos os recursos  – soldados, géneros alimentícios, fábricas, trabalhadores… ao serviço da guerra revolucionária.   Faz hoje 220 anos.

Em 23 de Agosto de 1939,  deu-se a assinatura do Pacto germano-soviético, a pouco mais de uma semana de ser desencadeada a Segunda Guerra Mundial, Estaline procurava evitar o envolvimento da União Soviética no conflito e Hitler evitava, na guerra que ia desencadear, enfrentar um inimigo poderoso. Deixá-lo-ia para depois. Dois políticos manhosos e sem escrúpulos, tentavam mutuamente enganar-se. Faz hoje 74 anos.

De ambas as efemérides seria possível extrapolar conclusões que ajudariam a compreender o que se passa em Portugal e no mundo – como diz o argonauta Carlos Leça da Veiga, “a história pode dar alguma ajuda”.  Os amigos que nos visitam bem podem encarregar-se desse exercício. Nós vamos até à praia.

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